honey bunny.
[para mirela.]
Seguindo a tradição de todos os anos lançar uma coleção em homenagem a um artista brasileiro, A H.Stern lança no próximo dia 15 uma coleção para homenagear o arquiteto Oscar Niemeyer [a.k.a Deus], que no mesmo dia completa 101 anos de vida. As jóias foram desenvolvidas por Roberto Stern, com a colaboração do próprio Niemeyer, e mesmo eu, que nunca liguei muito pra jóias, queria uma peça pra desfilar por aí, não fosse pra isso necessário desembolsar alguns muitos reais não disponíveis no momento.

Maaaaasss, como a vida é bela e 2008 já está no fim, na falta de jóia recebi, na segunda-feira, um kit ótimo de divulgação da coleção: uma caixa linda, croquis maravilhosos e um pen drive [autografado pelo próprio] com o material de divulgação do babado [press release e um animação feita por Andrés Lieban com trilha sonora de Carlinhos Brown e George Israel].
Essa beleza toda é um oferecimento Pólvora! Comunicação, e dá pra saber mais sobre as peças e toda a produção aqui, aqui e aqui.
“Foi durante a minha temporada no Café Society que nasceu uma canção que se tornaria o meu protesto pessoal: ‘Strange Fruit’. O germe da canção foi um poema escrito por Lewis Allen. Eu o conheci no Café Society. Quando me mostrou aquele poema, gostei dele na hora. Parecia incluir todas as coisas que haviam matado papai.
Allen também sabia como papai morrera e naturalmente se interessava pelo meu canto. Sugeriu que eu e Sonny White, o pianista que me acompanhava na época, transformássemos o poema em música. Então nós três nos sentamos e fizemos o trabalho em cerca de três semanas. Também contei com a maravilhosa assistência de Danny Mendelsohn, outro escritor que fizera arranjos pra mim. Ajudou-me a arranjar a música e a ensaiá-la pacientemente. Trabalhei como o diabo, porque nunca tive certeza de que seria capaz de transmitir a mensagem da canção ou de passar para um público de clube noturno as coisas que ela representava pra mim.
Tive medo de que as pessoas detestassem. Na primeira vez que cantei, achei que havia sido um equivoco e que meu receio era justificado. Não houve nem mesmo uma tentativa de aplauso quando terminei. Então uma pessoa sozinha começou a aplaudir nervosamente. De repente, todo mundo estava aplaudindo.
A canção pegou depois de algum tempo, e as pessoas começaram a pedir que eu cantasse. A versão gravada pelo selo Comodore tornou-se meu disco mais vendido. Apesar disso, ainda me deprime toda vez que a canto. Lembra-me de como papai morreu. Mas preciso continuar a cantá-la, não só porque as pessoas pedem, mas porque vinte anos depois da morte de papai as coisas que o mataram continuam acontecendo no Sul.
Ao longo dos anos tive uma quantidade de experiências estranhas em função daquela canção. Ela tem um jeito de separar as pessoas normais das quadradas e caretas. Certa noite, em Los Angeles, uma perua ficou de pé no clube onde eu me apresentava e disse:
- Billie, por que não canta aquela sua canção sexy tão famosa? Sabe, aquela dos corpos nus pendurados nas árvores?
Desnecessário dizer que não cantei.
Mas em outra ocasião, na Rua 52, terminei um set com ‘Strange Fruit’ e me dirigi como sempre ao banheiro. Ela consome todas as minhas forças.
Uma mulher entrou no toalete das damas do Downbeat Club e me encontrou arrasada de tanto chorar. Eu tinha deixado o palco correndo, quente e fria, desgraçada e feliz. Olhou pra mim e lágrimas brotaram de seus olhos.
- Meu deus – disse ela – , nunca ouvi uma coisa tão bonita na minha vida. Você ainda pode ouvir um alfinete cair naquela sala.
Poucos meses atrás, num clube de Miami, fiz toda uma temporada de duas semanas sem cantar ‘Strange Fruit’. Não estava a fim de me chatear com as cenas que acontecem toda vez que canto essa música no Sul. Não queria começar nada que não conseguisse terminar. Mas, uma noite, depois de todo mundo me pedir vinte vezes para cantá-la, acabei cedendo. Havia um sujeito em particular que viera ao clube dias seguidos, sempre pedindo ‘Strange Fruit’ e ‘Gloomy Sunday’. Não sei por que queria ouvir uma ou outra. Aquilo tinha para mim uma cara de ‘domingo tenebroso’. Mas finalmente cantei o que eles pediam e ainda dei bis.
Quando cheguei à frase final da letra eu estava com a voz mais raivosa e mais forte do que conseguira em muitos meses. Meu pianista se achava no mesmo estado de espírito. Quando eu cantei ‘…for the sun rot’, ele fez uma pontuação ao piano, ‘…for the wind to suck’, eu acentuei as palavras como nunca haviam sido acentuadas antes. Eu fustigava a platéia, mas o aplauso foi algo que nunca ouvira antes. Deixei o palco, subi ao camarim, troquei de roupa e, quando desci, ainda estavam aplaudindo.”
//o terra.
Aconteceu no último sábado, na Vila dos Galpões, em São Paulo, o tão por mim esperado e tão pelos outros comentado, Planeta Terra Festival 2008, que trouxe, entre outras boas surpresas, uma das minhas bandas preferidas da vida, pra fazer um sábado muito feliz.
Todo mundo sabe que eu sou traumatizada com festivais. Mas para o Terra eu quase que só tenho elogios. A começar pelo espaço. A Vila dos Galpões, apesar de longe, me pareceu o melhor lugar para eventos do tipo, de todos os que eu já conheci até agora. Adorei a forma como os galpões foram utilizados, a distribuição dos espaços, a decoração, bem como a comunicação visual e sinalização. A organização do festival também fez bonito, na minha opnião; não tive problemas pra comprar bebida [mesmo depois de, literalmente, rasgar uma nota de r$50], embora relatos amigos dêem conta de filas enormes pra comprar comida; e apesar de algumas pessoas terem reclamado dos preços do bar, não vi ninguém vendendo um copinhoinho de água por absurdos r$5 ou cobrando abusivos r$7 pelo maço de cigarros. Além disso, a falta de água no banheiro me incomodou menos do que me incomodaria ter que enfrentar filas gigantescas, por exemplo. E nesse ponto não há do que se reclamar: havia banheiros suficientes. E, se é pra comparar, é claro que o banheiro do Tim estava lindo, mas se todos aqueles salamaleques estavam lá pra justificar os preços altos cobrados pelos ingressos do festival, pode deixar que eu passo hidratante em casa mesmo, obrigada.
Até porque, eu não estava mesmo pensando em hidratante enquanto ouvia a boa música do Vanguart [Gustavo Jreige, me convide para o próximo show, sim?] ou enquanto andava contra o fluxo [desculpa Mallu, fica pra próxima] pra ouvir a música mais bonita do ano [até agora], no melhor lugar possível. E mesmo com os problemas com o som no começo do show, que quebraram um pouco o clima da apresentação, ficou muito claro pra mim o quão vibrante e visceral é a música do Animal Collective.
Tão vibrante e visceral que foi preciso sair correndo pra não perder o show razão do festival. E se o Jesus And Mary Chain não empolgou a maioria da platéia, lo siento. Os irmãos Reid estão velhos? So do I. Empolgaram a mim e me fizeram chorar de felicidade. O que mais uma banda poderia querer, minha gente?
Depois de ouvir Just Like Honey ao vivo eu não queria mais nada. Ainda assim ganhei,na sequência [que maravilha não ter que esperar ho-ras por um show, minha nossa senhora das pernas que doem] o finalzinho do show do Foals [destaque do novo rock inglês], o ótimo show do muito ótimo Spoon e o melhor show da noite: The Breeders. Acompanhadas pelo seu baterista fodido, as irmãs Deal levantaram o Indie Stage e fizeram todo mundo cantar os sucessos da banda, pouco antes de todos os músculos do meu corpo pedirem arrego e não darem a menor bola para o que sobrou do show do Bloc Party ou para o Kaiser Chiefs.
Bom, antes as dores da velhice do que ser menor de idade e não poder ver o festival, não é mesmo minha gente?
Que venha 2009.
//o rem.
Beibe. Te escrevo uma carta mental porque sei que vais ler o meu pensamento e entender que não foi apenas um show: foi o melhor de todos os tempos. Vais entender, sem achar piegas, qual foi a sensação de ouvir Michael Stipe cantando, a plenos pulmões, acompanhado de sabe deus quantas pessoas: hold on, hold on…Vais entender o quanto foi emocionante cantar junto com ele essa e outras tantas canções. Mesmo faltando a minha preferida, ou qualquer outra do meu disco preferido. Nobody cares no one remembers and nobody cares. Mas tu vais entender, porque assim como eu entendes que trata-se de uma das maiores e melhores bandas da últimas duas décadas e só por isso já valeria a pena. Como te agradecer? Usando um clichê, obviamente. It’s the end of the world as we know it. E eu começo a me sentir melhor. Com amor. Juliana.
//o radiohead no Brasil.
Calma. Vamos todos nos acalmar, esperar as datas e locais serem divulgados, comprar os ingressos civilizadamente, deixar ingressos pros outros comprarem também, e aí então ter um ataque, arrancar roupas e cabelos e sair correndo, pelados e carecas, pela Paulista, com as palavras “Thom” e “Yorke” escritas com batom vermelho, uma em cada uma das bandas da bunda.
Vai ser lindo, Brasil.