azar o seu, querida*

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top 5 melhores post’s lidos em blogs durante os meus seis dias de férias, até agora, independente da data em que foram postados.

[ou “o Doni viu no 30&Alguns e eu vi no Doni"]

1. Desencontros do amor no Grand Canyon>>por Alexandre Inagaki, no Pensar Enlouquece: sou fã do querido Inagaki [bem como de seu mantra – repita comigo “a vida é boa e cheia de possibilidades”] e é fato que poucas pessoas fazem observações tão sensíveis e pertinentes sobre amores, encontros e desencontros. Junta-se a isso a minha declarada paixão pelo Coyote e eis a explicação para o meu imenso afeto por esse post em especial. Se é que de explicação precisava.

2. Tudo que é sólido…>>por Gabriela Franco, no Fogo nas Entranhas: normalmente eu não gosto de conselhos. Nem de dar [faço o possível pra só abrir a boca quando me pedem] nem de receber [a não ser que eu os tenha pedido]. Mas toda vez que quero um conselho Gabi está na lista das pessoas pra quem eu penso pedir, por se tratar de uma das pessoas mais bem resolvidas e de maior bom senso que eu conheço. O post em questão pode até ser baseado numa experiência particular, mas rende uma boa reflexão e bons questionamentos pra qualquer um que esteja disposto a refletir e questionar a si próprio, sobre como as coisas mudam e sobre como isso não é necessariamente ruim. E se é a pergunta que motiva, eu recomendo.

3. Numa Sexta Como Essa>>por Fernando Káfila, no Terehell: um conto breve sobre uma Rita, do meu amigo Fernando que sempre arrasa quando resolve escrever contos. Adoro esse nome, Rita.

4. Rita… tonitruante como Júpiter>>por Alexandre Carvalho, no Na Minha Rolleiflex: outro conto breve sobre uma Rita. Tão bom quanto o anterior.

5. Simulacro e a conquista do mundo>>por Pedro Jansen, no Calo na Orelha: demorou mas saiu a resenha [seguida de um trecho de uma entrevista via MSN] anteriormente prometida aqui, sobre o disco novo de China. A julgar pela qualidade do texto; perdoada a demora.

roadhouse blues.

Sabe qual foi a melhor parte dos últimos dias? Ouvir uma banda de blues que eu não sei o nome, num bar que eu não sei o nome. Eu sempre me lembro do meu avô em situações como essa, onde a música é a melhor parte, e é feita com vontade, e fico imaginando como deveria ser quando ele ainda podia tocar. Eu poderia tranquilamente viver disso; ouvir músicos e bandas que eu não sei o nome em lugares que eu não sei nome, pelo prazer de ouvir o prazer de tocar.
Sabe qual a minha mais nova palavra preferida? Afeto. A mim encanta a intimidade respeitosa que mora nas entrelinhas e que dá as caras no olhar que procura, seguido da pergunta interessada feita em voz baixa; está tudo bem? Sim. Acho que isso tem a ver com afeto. E afeto não só é uma palavra bonita, como me parece uma palavra tranqüila. O que é ainda melhor. Eu também adoro essa palavra: tranquila.
Sabe o que eu descobri noite dessas? Que ouvir “Dindi” e “Joana Francesa” algumas vezes antes de dormir espanta pesadelos. Experimenta pra você ver.
Sabe qual é a minha nova música preferida da semana? Aquela do The Moldy Peaches com os versinhos sobre desenhos animados.
Eu gosto de anos que passam rápido.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mmNAB9WekwI]
“the future is uncertain/and the end is always near”

e no feriado…

“Preguiça de morte de sair de casa. Let’s just lay down here and listen to this cute songs. Oh, don’t you love this weather?”

“she was nice…she was…just a girl…”

“…I really should go! I’ve gotta catch my ride.  So go. I did. I thought maybe you were a nut… but you were exciting.  I wish you had stayed.  I wish I had stayed too. Now I wish I had stayed. I wish I had done a lot of things. I wish I had… I wish I had stayed. I do.  Well I came back downstairs and you were gone! I walked out, I walked out the door! Why? I don’t know. I felt like I was a scared little kid, I was like… it was above my head, I don’t know.  You were scared? Yeah. I thought you knew that about me. I ran back to the bonfire, trying to outrun my humiliation. Was it something I said? Yeah, you said ’so go’. With such disdain, you know? Oh, I’m sorry. It’s okay. Joely? What if you stayed this time? I walked out the door. There’s no memory left. Come back and make up a good-bye at least. Let’s pretend we had one. Bye Joel.I love you… Meet me…in…”

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=zNkhrFQNK4g]

manifesto da mulher de 30.

[por Rita Wainer, originalmente publicado na revista Key #7]

“Faz frio na minha casa. Minha casa tem um vento que entra na janela do banheiro, passa debaixo da porta, atravessa o corredor, me pega no sofá e entra no coração. Faz frio no meu bairro. Faz frio na cidade inteira. É só o inverno. Passa. Tenho trabalhado muito. Faz muito tempo em que se trabalha muito. Depois vem as férias, então eu descanso, todo mundo descansa. Passa. Não tenho tempo pra nada. Assim como meus amigos não têm tempo para muita coisa. As pessoas trabalham muito, lembra? Sim, quando der tempo a gente se encontra, se fala, se diverte. Uma hora isso acontece. Menos que antes, quando eu tinha vida de gato. Um dia eu fico velha e terei mais tempo. Passa. O tempo passa. Acordo com vontade de ver coisas lindas. As coisas lindas estão em todos os lugares, no caminho do trabalho, na conversa jogada fora na hora do almoço, no beijo do namorado, dentro do ipod, na risada à toa. É só saber aproveitar. Quero mudar o mundo. Reciclo o lixo, desligo a torneira, ando a pé. Planto uma árvore. Pronto. As coisas podem ser mais simples do que parecem. Cansei de pichar muros, escrever em camisetas, atormentar o vizinho. Revolução de boutique. Fazer 30 anos me parece bom. Faz muita diferença saber que não é só você que sente frio, que não tem tempo, que as coisas lindas estão em todos os lugares e que você pode ajudar a mudar o mundo em casa e não no berro. É como estar no lugar certo, na hora certa. O corpo, a alma, a beleza, a maturidade. Pensar no futuro começa a fazer sentido. E a vida esta só começando. E ela também passa. E se transforma. Pelo jeito, sempre pra melhor.Balzac que me perdoe, mas as coisas mudaram.”

[...um piscar de olhos e lá estava eu discutindo obras de verdade, com engenheiros de verdade; arquiteta com um projeto pra coordenar. Abri os olhos de madrugada e vi, escrita em costas largas, a minha tranqüilidade sobre o que, aos meus olhos, pode simplesmente ser como será. Voltei a desenhar como quando era criança e faltando dois anos pr'os trinta percebo enfim a razão nas palavras de sempre da minha mãe, sobre exageros e coisas desnecessárias, sem, no entanto, perder a força do intenso. Dosar é a palavra. Ainda bem que as coisas mudam. Vontade de fotografar as pessoas na rua. É bom estar aqui.]

“it’s a strange world, isn’t it?”

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=clZNwja8M3A]

[go to sleep, everything is all rigth]

miaazaroseuquerida