azar o seu, querida*

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as canções que você fez pra mim.

“After that it got pretty late, and we both had to go, but it was great seeing Annie again. I… I realized what a terrific person she was, and… and how much fun it was just knowing her; and I… I, I thought of that old joke, y’know, the, this… this guy goes to a psychiatrist and says, “Doc, uh, my brother’s crazy; he thinks he’s a chicken.” And, uh, the doctor says, “Well, why don’t you turn him in?” The guy says, “I would, but I need the eggs.” Well, I guess that’s pretty much now how I feel about relationships; y’know, they’re totally irrational, and crazy, and absurd, and… but, uh, I guess we keep goin’ through it because, uh, most of us… need the eggs.”

[sem título]

“(…) E sinto falta de escrever pra você. Mas não sei como fazer agora que você não existe mais.”

sem título.

“I’m broke but I’m happy. I’m poor but I’m kind. I’m short but I’m healthy. I’m high but I’m grounded. I’m sane but I’m overwhelmed. I’m lost but I’m hopeful, baby. An’ what it all comes down to, is that everything’s gonna be fine. ‘Cause I’ve got one hand in my pocket, and the other one is giving a high five. I feel drunk but I’m sober. I’m young and I’m underpaid. I’m tired but I’m working. I care but I’m restless. I’m here but I’m really gone. I’m wrong and I’m sorry, baby. An’ What it all comes down to is that everything’s gonna be quite alright. ‘Cause I’ve got one hand in my pocket, and the other is flicking a cigarette. And what is all comes down to, is that I haven’t got it all figured out just yet. ‘Cause I’ve got one hand in my pocket, and the other one is giving the peace sign. I’m free but I’m focused. I’m green but I’m wise. I’m hard but I’m friendly, baby. I’m sad but I’m laughing. I’m brave but I’m chicken shit. I’m sick but I’m pretty, baby. And what it all boils down to, is that no one’s really got it figured out just yet. I’ve got one hand in my pocket, and the other one is playing the piano. What it all comes down to, my friends, is that everything’s just fine. ‘Cause i’ve got one hand in my pocket, and the other one is hailing a taxi cab…”

[missing my old friends]

ret @ceciliagiannetti.

[daqui]

“A LIFE IN LETTERS – UMA VIDA EM CARTAS

Anton Tchekhov

[Trecho] – retirado de Frenesi Polissilábico, Nick Hornby. [ou: Um pouquinho para todos nós]

Você tem apenas um defeito. Contudo, nesse defeito reside a falsidade de sua posição, seu descontentamento e mesmo o catarro em suas entranhas. É uma completa falta de modos. Por favor, mas veritas magis amicitiae… A verdade é que na vida existem certas regras… Você sempre vai se sentir desconfortável entre pessoas inteligentes, fora do lugar e inadequado, a menos que você esteja equipado com os modos de enfrentamento… Seu talento abriu-lhe a porta neste ambiente, você deve ficar perfeitamente à vontade aqui, mas ao mesmo tempo algo o afasta deste lugar e você se pega tendo de realizar uma espécie de malabarismo entre esses círculos cultivados, por um lado, e as pessoas entre as quais você vive, do outro. Essa sua pele de suburbano ralé é por demais aparente, resultado de ter crescido sob a chibata, próximo à adega, subsistindo de esmolas. É difícil superar isso, terrivelmente difícil!

Creio que as pessoas civilizadas devam atender aos seguintes critérios:

1) Respeitam seres humanos como indivíduos e logo são sempre tolerantes, gentis, corteses e sensíveis… Não criam cenas por causa de um martelo ou uma borracha que não sabem onde colocaram; não fazem com que os outros sintam como se elas estivessem oferecendo um grande benefício quando vivem com eles e não fazem escândalo quando vão embora, dizendo “é impossível viver com você!” Elas toleram barulho, frio, carne passada demais, piadas e a presença de estranhos em casa…

2) Elas têm compaixão pelas outras pessoas além de mendigos e gatos. Seus corações sofrem a dor do que é escondido ao olho nu. Então, por exemplo, se Pyotr perceber que seus pais estão doentes de preocupação e depressão e não conseguem dormir à noite porque o veem muito raramente (e quando o fazem ele está embriagado), ele se apressa pra vê-los e abre mão da vodca. Pessoas civilizadas não conseguem dormir, preocupadas em como ajudar os Polevayers, como pagar os estudos do irmão na faculdade, para ve a mãe decentemente vestida…

3) Respeitam a propriedade alheia e, assim, pagam o que devem.

4) Não são desonestas e temem mentiras como temem o fogo. Não mentem nem mesmo sobre as questões mais triviais. Mentir para alguém é o mesmo que insultar, e o mentiroso é diminuído perante aquele para quem ele mente. Pessoas civilizadas não adotam atitudes arrogantes nem esnobes; comportam-se na rua como o fariam em casa, não andam se exibindo para impressionar os menos afortunados… São discretas e não revelam segredos não solicitados… Mantêm-se em silêncio em respeito aos ouvidos alheios.

5) Não se queixam da vida para despertar a pena dos outros. Não precisam ganhar a atenção e o carinho alheios fazendo-se de vítimas. Não dizem: “Ninguém me entende!” ou “Desperdicei meus talentos em rabiscos triviais” Sou uma puta!” pois todas essas coisas são obviamente usadas para causar efeito, são vulgares, velhas e falsas…

6) Não são vaidosas. Não ficam encantadas com celebridades, tendo a permissão de apertar a mão de um Plevako bêbado, uma bondade exagerada da primeira pessoa que elas encontram no Salão, sendo o centro das atenções no bar… Consideram absurdas frases do tipo “Sou representante da imprensa!” – o tipo de coisa que só ouvimos de pessoas como Rozdevitche Levemberg. Se fizerem um trabalho que valha 25 centavos, não o tenta passá-lo como se valesse 100 rublos, ostentando um portfólio, e não se gabam de poder entrar em lugares onde outras pessoas não possam… O verdadeiro talento sempre se sente na sombra, mistura-se à multidão, evita os holofotes… Como disse Krylov, o barril vazio faz mais barulho do que o cheio.

7) Se de fato são talentosos, elas valorizam o talento. Sacrificarão pessoas inteligentes, mulheres, vinhos, e o burburinho e a vaidade do mundo por ele… Orgulham-se do talento. Assim, elas não saem para encher a cara com professores ou com pessoas que apareceram para ficar com Skvortsov; elas sabem que precisam exercer uma influência civilizadora sobre as pessoas em vez de sair à toa com elas. E são muito exigentes em seus hábitos. Investem tempo no desenvolvimento de sua sensibilidade estética. Não se permitem ir para a cama ser trocar de roupa, olhar para os percevejos nas rachaduras das paredes, respirar ar impuro, caminhar sobre um chão coberto de cuspe, cozinhar em um fogão de querosene. Tentam ao máximo controlar e aprimorar seus impulsos sexuais… Transar com uma prostituta, beijar-lhe a boca, passar horas escutando-a mijar, tolerar sua estupidez e nunca se afastar dela – qual o sentido disso? Pessoas civilizadas não obedecem aos seus instintos mais básicos. Esperam de uma mulher muito mais do que sexo, suor de cavalo e o som de mijo, e mais inteligência do que uma habilidade de inchar com uma gravidez psicológica; os artistas precisam acima de tudo de originalidade, refinamento, humanidade, capacidade de ser mãe, não apenas um buraco… Não ficar continuamente enchendo a cara de vodca, eles têm consciência de que não são porcos, de forma que não saem fuçando as dispensas. Bebem quando querem, como homens livres… Pois exigem mens sana corpore sano.

As pessoas civilizadas são assim… Não basta ler Pickwick e memorizar um discurso de Fausto caso seu objetivo seja o de tornar-se uma pessoa verdadeiramente civilizada e não o de afundar-se mais ainda do que o nível de seu entorno. Pegar um táxi até Yakimanka e então dar o fora uma semana mais tarde não basta…

O que você deve fazer é trabalhar incessantemente noite e dia, ler constantemente, estudar, exercitar a força de vontade… Cada hora é preciosa…

Ficar indo e voltando de Yakimanka não vai adiantar. É preciso arregaçar as mangas e começar a fazer acontecer, de uma vez por todas… Volte para nós, quebre a garrafa de vodca e dedique-se à leitura… mesmo que seja apenas Turgenev, que você nunca leu… Você tem de superar essa porra de vaidade, você não é mais criança… logo terá trinta anos! É hora de crescer!

Estou esperando você… Estamos todos esperando você…

Atenciosamente,

A. Tchechov.”

subject: sobre trilhas sonoras

[ou: sobre as coisas que me fazem chorar no sofá daquele bar]

“É engraçado como as coisas são. Naturalmente ouvimos uma seleção imensa de músicas nos últimos quatro dias. A vida precisa de trilha sonora, como bem concordas. Mas não é mesmo inexplicável como, subitamente, uma música se torna a mais importante de determinados períodos? Botão de on/off de todas as lembranças? Voltar é sempre estranho, como bem sabes. Por isso as lágrimas e o rímel borrado, no sofá do lugar que sempre foi o meu preferido. Eis o botão de on/off de todas as lembranças dos últimos dias. Mas não te preocupes, não se trata assim de uma tristeza. Antes de ficar triste, fico agradecida. Pelos amigos que tenho. Pelas pessoas que simplesmente aparecem. Pelas oportunidades, conversas, sorrisos e declarações bombásticas. Assim mesmo, bem piegas e sentimentaloide. Como bem sou. Como bem sabes. Estou esperando visitas. Let the seasons begin.”

página 373.

As quatro músicas exigiram apenas quatro ou cinco tomadas de gravação cada, sendo que a primeira em geral já resolvia o assunto – às 10 horas, eles haviam terminado o trabalho. Abbey Road estava se fechando; os técnicos desligaram os equipamentos e dobraram quilômetros de cabos em volta dos braços, os músicos se despediram à porta e as luzes foram apagadas. Ainda poderiam fazer muito naquela noite, mas os Beatles estavam acabados, física e emocionalmente. No decorrer dos anos, eles tocaram por mais tempo seguido e com mais força, porém nunca com tanta coisa em jogo. Eles colocaram tudo o que tinham naquela sessão. George Martin estava compreensivelmente eufórico; não seria perfeito, especulou, se conseguissem terminar o projeto inteiro nessa mesma noite? Ainda faltava uma música pra completar o disco. Da forma como haviam passado voando pelas quatro anteriores, bastaria meia hora pra gravar a última faixa.
A possível relutância dos Beatles, talvez esperada, não aconteceu. Naquela altura, eles estavam dispostos a fazer o que quer que Martin pedisse; assim, seguiram o produtor para a cantina, onde, tomando um café, pensaram em músicas, em busca de um final arrebatador. Norman Smith disse que “alguém sugeriu ‘Twist and Shout’”, música que haviam tocado nas apresentações do ano anterior. Era uma música retumbante, um hino adolescente, que geralmente vinha seguido de uma improvisação extensa – o que nunca deixava de animar a platéia. Mas exigia um desempenho vocal tremendo, empurrando cada frase até o limite. “Uma verdadeira destruidora de laringes”, como George Martin mais tarde a chamaria. E era John quem a cantava. Se ele estava em condições? Ninguém, nem mesmo John, sabia ao certo. Ele exigira demais da voz o dia inteiro, levando-a ao limite, como um carro quase sem combustível. Ainda havia o suficiente, ele insistiu, apesar de admitir que sentia uma lixa na garganta quando engolia.
Todos sabiam que teriam que acertar de primeira – a banda, o engenheiro, todos precisavam fazer seu trabalho sem perder uma única nota, e sem um único erro. Não sobraria nada da voz de John depois daquilo.
O conjunto voltou para o estúdio e afinou os instrumentos enquanto Brian e a equipe de produção subiam as escadas para a cabine de controle. Estava frio e havia um cheiro rançoso no cômodo, um cheiro de coisa velha. O ar lá dentro parecia mais espesso, mais triste, vagamente familiar. No amplo espaço com painéis de madeira, coberto de lâmpadas fluorescentes no teto, a luz lançava um guarda-chuva calmo e esbranquiçado sobre os rapazes, que se puseram a trabalhar como profissionais experientes. Foi necessária alguma concentração para colocar as guitarras, usadas à exaustão, em sincronia. Os dedos estavam impacientes. Persuadindo aos poucos as cordas, eles conseguiram que os instrumentos aceitassem suas ordens aos protestos. Não se passaram mais do que dez minutos até que Martin, invisível por trás da cabine de vidro, sinalizasse que estavam prontos.
John abriu uma caixa de leite e bebeu ruidosamente. Ele passara a maior parte do dia vestido num terno amarrotado, que em algum momento depois do jantar foi abandonado, com a conseqüente libertação do nó da gravata. Então, sem falar nada, tirou a camisa, ajeitou-a nas costas de uma cadeira, foi até o microfone e fez um breve sinal com a cabeça; estavam prontos.
Fica evidente, desde as primeiras notas, que John luta para controlar a voz. “Shake it up bay-be-eee…” parece mais um grito do que uma voz cantando. Não sobrara nada da voz dele. Estava seca, nua, com toda a ressonância descascada dos tons: o som produzido parece o de um fã raivoso e rouco aos berros em um jogo de futebol. O vocal de “Twist and Shout” foi cantado por entre dentes, com o rosto contorcido. John havia batalhado o dia todo para alcançar as notas certas, mas aquilo era diferente, dolorido. E doía ao ouvir também. Ele deu tudo o que tinha, como num transe, mas, à medida que a banda aumentava a intensidade da música, a dificuldade ficou ainda maior. “C’mon and twist a little closer” foi se transformando em um som estridente, agonizante e demoníaco, até que, no último refrão, a guturalidade torturante mascarou todas as palavras e Paul, admirado, gritou “Hey”, comemorando o milagre de terem cruzado a linha de chegada.
John estava esgotado, à beira de um colapso, mas os outros já sabiam o que ele descobriu ao ouvir a gravação com toda a sua aspereza. “Twist and Shout” é uma obra-prima – imperfeita, mas não menos obra-prima, com as bordas ásperas expostas para ressaltar seu poder. É crua, explosiva. O som da fadiga devastadora, de tudo se desfazendo, apenas complementa o espírito de uma tumultuada apresentação ao vivo. Na cabine o júbilo reinava. (…)
The Beatles, A Biografia: Bob Spitz.
Para Rita Prado, Daniel Hulk e Fábio Bianchini.

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