azar o seu, querida*

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sem título nº12

“Querida Flor,
Guardas o meu coração.
Como seria então possível não me apaixonar? Pelos teus verdes e azuis, vermelhos, amarelos e laranjas. Pelas tuas curvas e elevações. O brilho do mar nos teus olhos. O sol no teu céu. Guardas o meu coração. E como então não ouvir, repetidamente e num querer de para sempre, essas canções que nos acompanharam até aqui? Tuas músicas. Tuas vozes. Teus barulhos. Tuas gírias. Trilha sonora. Guardas o meu coração. Os meus [teus] olhos. A minha [tua] boca. Guardas agora um meu querer. Os meus diálogos imaginários. As borboletas em festa da minha barriga. As palavras, ditas e não ditas por nós. As melhores idéias. As maiores vontades. Guardas o meu desejo. Inteiro. Intenso. Só pra ti. Querida Flor. Guardas o meu coração. E sendo assim guardas também a minha dúvida, a minha urgência, a minha saudade, o meu não saber. E quem saberá? Guardas o meu coração. As mãos dadas. As festas nas ruas. A tranqüilidade do cotidiano. O amor em quartos de hotel. O sorriso fácil e tão simples. A embriaguez. As fotografias. Os fogos de artifício. As possibilidades. O que há de vir, se haverá de vir.
Querida Flor.
Guardas o meu coração?
Com cuidado.
E bem querer.

Da tua.”

trecho.

“E aí eu acordei com essa vontade insuportável de banho de mar e fotografias no parque de diversões e com a lembrança doída de que não vou ao cinema há meses. E aí eu dormi de novo e tu me pediu em casamento com um daqueles anéis vagabundos, brinde de chiclete. Eu disse sim. Sim. Eu queria me chamar Maria. Ou Sophia. E me mudar pra outro lugar”
por Marilia Hawk.
foto: Marilia Hawk

Sobre dois assuntos muito importantes que não podem deixar de ser comentados, mesmo com toda a fama, com toda a Brahma, com toda a cama, com toda a lama com a sala escura, com nada feito.

>>Karolina, a obesa.
Moda é uma coisa que muito me interessa, mas confesso que daqui do cerrado, e com tantos problemas sobre jardins e estruturas metálicas pra resolver, deixei as semanas de moda passarem completamente batidas: não sei quem desfilou o que, quais foram os melhores makes, os melhores cabelos ou as melhores trilhas [pausa para o informe: se você também não sabe, faça como eu vou fazer daqui a pouco e se atualize lá no Oficina de Estilo]. Mas um assunto não pôde passar despercebido, tamanho absurdo e tamanha repercussão: Karolina Kurkova, sua celulite e suas “gordurinhas” no desfile da Cia Marítima.
karolina kurkova 1
Eu não vou fazer aqui nenhum discurso contra o padrão de beleza esquelético das passarelas; o padrão existe, apesar de eu considerá-lo burro, está lá, outros padrões já existiram antes desse, outros, tenho esperanças, pelo bem da diversidade, haverão de existir. Ok. Mas não dá pra ler as declarações do stylist Paulo Martinez [ “Achei ela obesa, foi um erro trazê-la”] e da editora de moda Maria Prata [”Ela não só está gorda, como o seu corpo está feio, com celulite”] na Folha e não pensar que o erro, na verdade, é outro. Karolina Kurkova talvez não esteja dentro do padrão esquelético saudavelmente inatingível vigente nas passarelas, mas anda muito, léguas, distante de estar obesa. Nem de gorda eu me atreveria a chamar essa mulher. Ou mudaram o dicionário e eu que não estou sabendo?
karolina kurkova 2
“Obesidade é uma doença. É quando o indivíduo tem nível de gordura no corpo bem acima de seu peso ideal.
Chamar de OBESA a modelo Karolina Kurkova é um exagero irresponsável.
Irresponsável porque atinge de maneira negativa meninas que sofrem - e às vezes morrem - por conta de distúrbios alimentares e também mulheres comuns que MORREM POR DENTRO, por se acharem inadequadas até para arranjar um parceiro; sair na rua; para, simplesmente, comprar um vestido.
Chamar aquela gostosa (com todo o respeito) de OBESA é coisa de quem anda se alimentando apenas de alface, comprimidos de Desobesi e espumante, e pode, graças à inanição dessa dieta estúpida, ter perdido a capacidade de fazer sinapses. Isso sim é doença.
Essa turma que trota na passarela, mais que cabides, são gente.”
(1)

“Bom dia.É no mínimo revoltante acordar e ler a declaração da Maria Prata na Folha de hoje. Falar que a modelo Karolina Kurkova está gorda e feia por causa de celulite é irresponsabilidade. Como editora de uma das principais revistas de moda do país, ela não pode sair por aí falando esse tipo de asneira. Ela e o stylist Paulo Martinez merecem algum tipo de retaliação do “mundinho fashion”, que tem se preocupado tanto em dizer que é grande empregador e que tem responsabilidade social. O jornal, apesar de fazer um pequeno contra-ponto, precisa discutir amplamente esse assunto. Essas declarações não podem ficar impunes. Uma coisa é a modelo estar fora dos (ridículos) padrões de passarela, outra, é dizer que está gorda e obesa. Paulo Martinez, Maria Prata e tantos outros sofrem de inanição intelectual.” (2)

(1)Cecília Giannetti e (2) Luiz Pattoli em emails enviados à Folha de São Paulo.

>>Blogs na Cozinha

Vai acontecer na próxima sexta-feira no BGourmet 2008 mais uma festa evento para blogueiros, a convite da Brastemp e com a organização da LiveAd.
Recebi a convocação no domingo, mas como ainda vou estar aqui no cerrado até lá, não poderei me divertir comparecer. Azar o meu, querida. E seu também, porque cada blogueiro ia poder levar um leitor do blog de acompanhante, e sendo assim aqui não vai rolar promoção.
convite_blogs na cozinha
Mas como eu estou tentando ser uma pessoa boa, que visa a evolução, vou dar uma dica: promoção rolando nos blogs de Ian Marquinhos José Enloucrescendo Santa Helena Câmara Black, Marina Santa Helena, Gustavo Gitti e Marco Doni. Ouvi dizer que a disputa nesses sítios anda bem acirrada, mas as companhias serão de primeira e o evento com certeza vai valer o esforço. Se você está em São Paulo, não custa tentar.

 

>>The School
Falei que eram duas? Mentira, são três! Descobri a banda e a música mais fofa da semana. Ai, ai.
the school

“Minha mãe, Linda.”

Filha de Linda e Paul, a fotógrafa Mary McCartney aceita o convite de Vogue e faz um relato pessoal e revelador sobre o trabalho de sua mãe, em exposição na galeria James Hyman, em Londres, até 19 de Julho
linda mccartney.
Boa parte das lembranças que tenho de minha mãe são dela fotografando. Quando era criança em Londres, costumava segui-la até o laboratório montando em um dos quartos de nossa casa e ficar observando-a revelar as fotos. Era mágico acompanhar as imagens em preto e branco surgirem no papel, ali na minha frente. Ela tinha um estilo único, relaxado e elegante ao mesmo tempo, que deixava qualquer fotografado à vontade. Também era muito pé no chão, tranqüila, tinha uma delicadeza que não intimidava – características essenciais na hora de criar o tipo de imagem que lhe interessava.
Mas foi só depois dos 20 anos, quando também virei fotógrafa, que realmente aprendi a apreciar a habilidade técnica de minha mãe. Acho que não percebi antes o quão talentosa ela era porque sempre parecia tudo parecer facílimo, além de trabalhar com extrema rapidez. Quando alguma coisa chamava sua atenção, ela construía a cena na cabeça e tirava a foto quase por reflexo. Logo que comecei a fotografar, me dei conta de como era difícil focar, ajustar o fotômetro e a velocidade – tudo ao mesmo tempo – para capturar um momento que, se eu não fosse hábil o suficiente, poderia desaparecer para sempre. Mas minha mãe dificilmente perdia uma oportunidade. Mesmo quando não tinha sua câmera em mãos, dizia que estava capturando a imagem com sua “câmera da alma” – ela devia ter um milhão de fotos maravilhosas guardadas ali dentro.
Ao longo de sua vida, minha mãe se deparou com muitas coisas visualmente interessantes. Sua carreira começou como fotógrafa de rock, fazendo retrato de gente como Rolling Stones, Jim Morrison, Janis Joplin e Jimmy Hendrix, simplesmente porque ela era apaixonada por música e interessada em tirar fotos dos músicos que admirava. Algumas dessas imagens estão na histórica primeira edição da Rolling Stones Magazine, de 1967.
Depois que se casou com meu pai – e sobretudo depois que nascemos – ela foi se voltando mais pra fotografia de arte, lançando livros e montando exposições em galerias ao redor do mundo, que incluíam imagens de todos os seus interesses: animais, paisagens, objetos que lhe chamaram a atenção em viagens, momentos familiares…A câmera estava sempre por perto. Ela gostava de imagens reais – nada muito manipulado parecia lhe interessar – e tinha como mestres Dorothea Lange e Edward Steichen.
stella maccarney by linda maccartney.
Há uma foto especial nessa exposição na James Hyman Gallery, de meu pai e minha irmã Heather, que foi tirada em Cliveden, na Inglaterra. Cada um está em um canto da foto, com um jardim entre eles. Para mim ela é atemporal, linda, sempre fico feliz quando a vejo. As fotos que minha mãe tirava sempre refletiam calor, ternura. Ela conseguia captar isso nas pessoas. E também tinha um grande senso de humor, como fica evidente na foto da garotinha cheia de atitude usando uma viseira, minha irmã Stella. Atrás dela, penduradas na parede como se fossem um quadro de avisos, mensagens que meus pais consideravam importantes. Uma de minhas imagens favoritas da exposição foi tirada na Escócia. É uma foto lindamente composta, que mostra meu irmão James pulando da capota de um carro, enquanto meu pai se equilibra na cerca de madeira. Até o cachorro ao fundo está perfeitamente posicionado, como se estivesse posando.
paul mccartney e james mccartney by linda maccartney
Em 1997 minha mãe foi convidada para tirar fotos no estúdio do pintor Francis Bacon, em Londres, antes de ser desmontado e remontado na Irlanda. Era uma sessão noturna, cheia de atmosfera, e a luz da noite deu um toque sombrio às imagens…Embora costumasse fotografar com a máquina em punho, uma Nikon 35mm, nessa ocasião ela preferiu usar uma câmera de grande formato, colocada sobre tripé. Depois que terminou de fotografar o estúdio, deslocou a câmera até a sala de estar e fez um auto-retrato, em que aparece refletida no grande espelho que havia ali. Ela fez a foto da porta, de frente para um busto de William Blake. Ela também gostava de fazer auto-retratos em que aparecia através de suas sombras. O que faz parte da exibição me deixa feliz e triste ao mesmo tempo. Sinto como se a sombra fosse começar a se mexer, e ela, entrar na sala e me fazer sorrir.

linda mccartney, auto-retrato.
*Originalmente publicado em Vogue #358, Junho de 2008
**Para Rita Prado.

agora.

“A única coisa que me interessa no momento é a lenta cumplicidade da correspondência.”
:Ana Cristina César.

 

[agradecimento à Didi Blanco, pela lembrança]

boletim: don’t kiss me goodbye, april march, romance, john, mag e desejos de bolso.

>>Trilhas sonoras são das minhas coisas preferidas em relação ao cinema. Adoro ver um filme bom, que ainda por cima me mostra uma música adorável, que eu ainda não conhecia. Às vezes, nem preciso ver o filme, o trailer já é suficiente pra me fazer querer ouvir uma certa música por um dia inteiro e só ir dormir depois de ter conseguido a dita. Foi o que aconteceu no caso de Le Scaphandre et le Papillon, indicação feita pela minha amiga Rita Prado que acabou me levando até Ultra Orange & Emmanuelle e sua fofa canção Don’t Kiss Me Goodbye.

emanuelle
>> Da mesma forma, passei dois dias inteiros ouvindo a californiana April March [que também faz desenhos animados] por causa de Death Proof. É dela a versão para Laisse Tomber les Filles, de Serge Gainsbourg, que toca nos créditos finais da metade Tarantino de Grindhouse. Fico alternando entre a versão em francês e a versão em inglês e tenho um dia feliz. Menção honrosa para as capas dos discos da moça, que são todas lindas. Dá pra ver aqui.

paris in april.

>> Com quase dez mil músicas no HD muita coisa acaba não sendo ouvida com a freqüência merecida. O prêmio de redescoberta da semana vai para Out Of Season [2003], disco solo de Beth Gibbons, ex-vocalista daquela banda capaz de matar uma pessoa do coração; o Portishead. Romance é a faixa preferida da vez [You know what they say about romance/You know what they say about romance/Ever changing love that you can’t/Keep on side a parking keel/Better the thought than the feeling/It’s plain to see/All the things we suffer/From the the hands of humanity/But that ain’t me/That ain’t me/But that ain’t me/That ain’t me/And I know there’s a god inside it/Should I love your key/Adorn you/And get inside/But that ain’t me/That ain’t me/But that ain’t me/That ain’t me/And I know I may come to doubt it/But if I ever wish/I wish we could all believe/ That in this daylight world/Is a world/ Where love can be/ And I won’t ever forget it/ Cuz that ain’t me/ That ain’t me/ Cuz that ain’t me/ Well that ain’t me].

>>Sem falar na parte John Frusciante da coisa…*Suspiro.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=rJYCny95qog]

>> “IdeiaFixa é uma revista digital internacional de fotografia, design, ilustração e artes plásticas. Seu objetivo é inspiração, visão e promover os artistas participantes. Ela é lançada mensalmente e cada edição possui um tema específico. A IdeiaFixa escolhe trabalhos que sejam contemporâneos [retrô também pode ser moderno e contemporâneo] e cosmopolitas. Trabalhos que tenham a ver com a visão atual do mundo. Não será aceito na publicação material que não condiga com o tema da edição. Esperamos que você curta. Alicia Ayala e Janara Lopes [editoras da IdeiaFixa art e-magazine]”

ideiafixa

>>E não era pra ser verão? Impressionante como esfriou nos últimos dias. Por dentro e por fora.

luiza pannunzio

[ilustração: luiza pannunzio]

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miaazaroseuquerida