azar o seu, querida*

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Planeta Terra 2009: em particular.

Querido João,
Às vezes, em noites como essa, em que essas tais sensações boas, mas que eu desconheço o nome, me levam às lágrimas eu penso em você e me pergunto se não fiz tudo errado na vida. Eu podia ter sido mais talentosa e criativa. Eu podia ter fugido com o circo aos oito, como planejado, e depois, podia ter me casado aos dezenove, com o primeiro maluco que me propôs e me ofereceu uma viagem de fusca pela Bahia de lua de mel. Eu podia ter tido competência pra aprender a tocar pelo menos um instrumento. Eu podia ter aprendido a pintar, a fotografar de verdade, a andar de bicicleta, a dirigir direito. Eu podia ter dado mais orgulho pra minha mãe. Eu podia ter decepcionado menos as pessoas. Eu podia ter dito “não” mais vezes; e podia ter mandando à merda muito mais pessoas, como você fez. Eu, seu coração, podia ter batido mais forte. Podia ter feito mais feliz. Eu penso em você e sempre percebo que sou apenas eu. Aqui, nessa chuva, com os olhos marejados e ouvindo as guitarras. Sou apenas eu; sozinha. Com essa família tão grande que você começou com a mulher mais forte que se tem notícia, e que é a minha base pra tudo; com a mãe maravilhosa e com o melhor pai que podia existir, ambos feitos por vocês, pra mim; com os meus irmãos, os de sangue e os de coração; com as outras famílias, que eu considero, mesmo sem “conta sanguínea”; com os meus amigos tão queridos, inclusive os que eu perdi; com todos os homens que eu amei, mesmo os que não me amaram de volta; com toda a companhia das incontáveis pessoas conhecidas em trinta anos, as que ficaram e as que passaram; com todas essas músicas alheias; com todo esse amor, imenso; com essas pernas, curtas demais pra abraçar o mundo; com esses olhos muito míopes pra enxergar tudo com clareza, imediatamente; com esses quereres demais pra uma vida só. Apenas eu, sozinha com o mundo. Não pelo mundo, mas porque é assim que é. Eu e o seu sangue correndo nas minhas veias.
Sinto saudades do seu sorrir.
Com amor.

Ju

[sem título]

Dear,
Na semana que acabou de passar eu comecei dois trabalhos novos. Fui num show de samba. Me sentei numa mesa naquele boteco sujo com aquele compositor famoso, sambistas, produtores e amigos. Dudu Nobre passou pra dar um alô. Conheci uma mulher dama que me garantiu que somos, todos, a imperfeição do mundo. Almocei com uma amiga querida. Tomei sorvete de graviola. Finalmente vi um show de Lulina e cantei junto com todas as outras moças do lugar. Recebi aquele telefonema e ouvi aquele sotaque que eu adoro por quase uma hora. Esperei por um email que nunca veio. Assisti uma comédia romântica pra tentar chamar o sono. Tive um dia cheio e com horários, como os que eu não tenho desde agosto. Fiz um teste. Coloquei uma flor no cabelo e fui ouvir um moço chamado Tibério Azul cantar Chico Buarque no meu lugar preferido. Sorri a noite toda. Dancei; sozinha e com um estranho simpático que me rodopiou no ar. Dormi até tarde. Paguei as contas e o domínio pra botar o meu bloco na rua. Trabalhei. Comprei uma cadeira nova. Conheci um lugar incrível, que eu adoraria te mostrar. Comi o melhor nhoque do mundo. Tive um domingo perfeito com três dos meus melhores amigos e quis, com todas as forças, me mudar pruma casa no campo, com meus discos, meus livros, meus amigos, um cachorro chamado Tim Maia, e nada mais. Me embriaguei com vinho artesanal. Sonhei com o melhor email do mundo; que nunca veio.
Foi uma semana incrível.
E eu senti a tua falta todos os dias.
No fim de tarde de segunda. Na mesa do boteco sujo. No meio do show de Lulina. Quando acordei na quinta-feira. Quando fui dormir na quinta-feira. Dançando sozinha e repetindo versos de Chico. Quando acordei no sábado. Quando enjoei de trabalhar. Na loja de móveis. Na Serrinha. No cochilo de domingo. Quando acordei de um sonho bom. E agora.
É. Eu sei.
Tanto tempo e ainda não aprendi a me despedir.

Converse Art Collabs.

[ou "Para Os Meus Amigos Criativos"]

Já viram que a Converse tá fazendo um concurso cultural e que vocês podem assinar uma linha pra marca, ganhar duas mil realidades e um ano de Allstar de graça? É verdade. Tá tudo aqui, ó.

converse

[Zero criatividades? Faça como eu, dê palpite]

outubro rosa.

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Aconteceu na última terça-feira, no Festivo, em São Paulo, um encontro de blogueiras, promovido pela FEMAMA- Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama. A ação faz parte do movimento “Outubro Rosa – Mulher Consciente na luta contra câncer de mama”, que, esse ano, entre outras coisas, já coloriu de rosa o Cristo Redentor.

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O movimento, realizado pela Roche e diversas ONGs associadas à FEMAMA surgiu a partir da ação de mesmo nome criada na Califórnia, EUA, em 1997, e o encontro de blogueiras desse ano contou com as presenças de Maira Caleffi (Presidente da FEMAMA) e Mirela Janotti (autora do livro Força na Peruca).

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Uma festa linda, toda cor de rosa, com o objetivo muito sério de divulgar o vídeo e o site da campanha “Ela tem que saber”, que alerta sobre a importância do diagnóstico precoce da doença e dá a dica: o autoexame é importante, mas o melhor exame para detectar o nódulo em fase inicial é a mamografia e quando o diagnóstico é feito no início da doença, a chance de cura é de 95%. A boa noticia é que o exame mamográfico pelo SUS (Sistema Único de Saúde) agora é garantido por lei para todas as mulheres a partir de 40.

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Quer saber mais? Aqui o site oficial da campanha, com todas as informações; aqui um “Top 10 coisas que você precisa saber sobre o câncer de mama”, aqui um livrinho da campanha para download e aqui dá pra acompanhar a campanha no Twitter. Quer ajudar? É simples. Basta repassar a informação.

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[mais fotos aqui]

F/2009: O fim.

Nesse post eu devia falar de Recife. Eu devia contar sobre o No Ar Coquetel Molotov [um dos festivais mais bem organizados que eu já vi], sobre o show do Beirut [um dos melhores momentos do ano] e de outras tantas bandas/músicos bons [tipo o Those Dancing Days, o Jam da Silva, o Sebastien Tellier, o François Virot e o Zombie, Zombie], sobre aquele lugar novo chamado Acre [meio brechó, meio café, balada de vez em quando], sobre como eu desejei alugar o andar de cima, sobre como eu adoro o Central, sobre o lançamento da Zupi Erótica, sobre os amigos que moram na cidade e sobre como eu tentei tomar todo o sol do mundo num único dia…
Mas o que eu ainda posso dizer de Recife que já não disse e repeti? Se cheguei há duas semanas e só desfiz as malas há alguns dias? Se volta e meia me pego pensando em quando será a próxima vez?
Eu não quero dizer mais nada, não.
Vou guardar tudo pra mim.

[Tá. Quer saber mais sobre como foi o No Ar Coquetel Molotov 2009? Dá pra ver fotos do festival aqui, e Bruno Nogueira fez uma ótima cobertura sobre tudo aqui.]

apaixonada por:

1. Tranças. [O que não significa que aprendi a fazer direito as embutidas]
2. Salto alto. Juro. [O que não significa que eu vá usar]
3. Minha Holga. [O que não significa que eu saiba colocar o filme direito]
4. Jimi Hendrix.

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