Querido João,
Às vezes, em noites como essa, em que essas tais sensações boas, mas que eu desconheço o nome, me levam às lágrimas eu penso em você e me pergunto se não fiz tudo errado na vida. Eu podia ter sido mais talentosa e criativa. Eu podia ter fugido com o circo aos oito, como planejado, e depois, podia ter me casado aos dezenove, com o primeiro maluco que me propôs e me ofereceu uma viagem de fusca pela Bahia de lua de mel. Eu podia ter tido competência pra aprender a tocar pelo menos um instrumento. Eu podia ter aprendido a pintar, a fotografar de verdade, a andar de bicicleta, a dirigir direito. Eu podia ter dado mais orgulho pra minha mãe. Eu podia ter decepcionado menos as pessoas. Eu podia ter dito “não” mais vezes; e podia ter mandando à merda muito mais pessoas, como você fez. Eu, seu coração, podia ter batido mais forte. Podia ter feito mais feliz. Eu penso em você e sempre percebo que sou apenas eu. Aqui, nessa chuva, com os olhos marejados e ouvindo as guitarras. Sou apenas eu; sozinha. Com essa família tão grande que você começou com a mulher mais forte que se tem notícia, e que é a minha base pra tudo; com a mãe maravilhosa e com o melhor pai que podia existir, ambos feitos por vocês, pra mim; com os meus irmãos, os de sangue e os de coração; com as outras famílias, que eu considero, mesmo sem “conta sanguínea”; com os meus amigos tão queridos, inclusive os que eu perdi; com todos os homens que eu amei, mesmo os que não me amaram de volta; com toda a companhia das incontáveis pessoas conhecidas em trinta anos, as que ficaram e as que passaram; com todas essas músicas alheias; com todo esse amor, imenso; com essas pernas, curtas demais pra abraçar o mundo; com esses olhos muito míopes pra enxergar tudo com clareza, imediatamente; com esses quereres demais pra uma vida só. Apenas eu, sozinha com o mundo. Não pelo mundo, mas porque é assim que é. Eu e o seu sangue correndo nas minhas veias.
Sinto saudades do seu sorrir.
Com amor.
Dear,
Na semana que acabou de passar eu comecei dois trabalhos novos. Fui num show de samba. Me sentei numa mesa naquele boteco sujo com aquele compositor famoso, sambistas, produtores e amigos. Dudu Nobre passou pra dar um alô. Conheci uma mulher dama que me garantiu que somos, todos, a imperfeição do mundo. Almocei com uma amiga querida. Tomei sorvete de graviola. Finalmente vi um show de Lulina e cantei junto com todas as outras moças do lugar. Recebi aquele telefonema e ouvi aquele sotaque que eu adoro por quase uma hora. Esperei por um email que nunca veio. Assisti uma comédia romântica pra tentar chamar o sono. Tive um dia cheio e com horários, como os que eu não tenho desde agosto. Fiz um teste. Coloquei uma flor no cabelo e fui ouvir um moço chamado Tibério Azul cantar Chico Buarque no meu lugar preferido. Sorri a noite toda. Dancei; sozinha e com um estranho simpático que me rodopiou no ar. Dormi até tarde. Paguei as contas e o domínio pra botar o meu bloco na rua. Trabalhei. Comprei uma cadeira nova. Conheci um lugar incrível, que eu adoraria te mostrar. Comi o melhor nhoque do mundo. Tive um domingo perfeito com três dos meus melhores amigos e quis, com todas as forças, me mudar pruma casa no campo, com meus discos, meus livros, meus amigos, um cachorro chamado Tim Maia, e nada mais. Me embriaguei com vinho artesanal. Sonhei com o melhor email do mundo; que nunca veio.
Foi uma semana incrível.
E eu senti a tua falta todos os dias.
No fim de tarde de segunda. Na mesa do boteco sujo. No meio do show de Lulina. Quando acordei na quinta-feira. Quando fui dormir na quinta-feira. Dançando sozinha e repetindo versos de Chico. Quando acordei no sábado. Quando enjoei de trabalhar. Na loja de móveis. Na Serrinha. No cochilo de domingo. Quando acordei de um sonho bom. E agora.
É. Eu sei.
Tanto tempo e ainda não aprendi a me despedir.
Já viram que a Converse tá fazendo um concurso cultural e que vocês podem assinar uma linha pra marca, ganhar duas mil realidades e um ano de Allstar de graça? É verdade. Tá tudo aqui, ó.
O movimento, realizado pela Roche e diversas ONGs associadas à FEMAMA surgiu a partir da ação de mesmo nome criada na Califórnia, EUA, em 1997, e o encontro de blogueiras desse ano contou com as presenças de Maira Caleffi (Presidente da FEMAMA) e Mirela Janotti (autora do livro Força na Peruca).
Uma festa linda, toda cor de rosa, com o objetivo muito sério de divulgar o vídeo e o site da campanha “Ela tem que saber”, que alerta sobre a importância do diagnóstico precoce da doença e dá a dica: o autoexame é importante, mas o melhor exame para detectar o nódulo em fase inicial é a mamografia e quando o diagnóstico é feito no início da doença, a chance de cura é de 95%. A boa noticia é que o exame mamográfico pelo SUS (Sistema Único de Saúde) agora é garantido por lei para todas as mulheres a partir de 40.
Quer saber mais? Aqui o site oficial da campanha, com todas as informações; aqui um “Top 10 coisas que você precisa saber sobre o câncer de mama”, aqui um livrinho da campanha para download e aqui dá pra acompanhar a campanha no Twitter. Quer ajudar? É simples. Basta repassar a informação.
Nesse post eu devia falar de Recife. Eu devia contar sobre o No Ar Coquetel Molotov [um dos festivais mais bem organizados que eu já vi], sobre o show do Beirut [um dos melhores momentos do ano] e de outras tantas bandas/músicos bons [tipo o Those Dancing Days, o Jam da Silva, o Sebastien Tellier, o François Virot e o Zombie, Zombie], sobre aquele lugar novo chamado Acre [meio brechó, meio café, balada de vez em quando], sobre como eu desejei alugar o andar de cima, sobre como eu adoro o Central, sobre o lançamento da Zupi Erótica, sobre os amigos que moram na cidade e sobre como eu tentei tomar todo o sol do mundo num único dia…
Mas o que eu ainda posso dizer de Recife que já não disse e repeti? Se cheguei há duas semanas e só desfiz as malas há alguns dias? Se volta e meia me pego pensando em quando será a próxima vez?
Eu não quero dizer mais nada, não.
Vou guardar tudo pra mim.
1. Tranças. [O que não significa que aprendi a fazer direito as embutidas]
2. Salto alto. Juro. [O que não significa que eu vá usar]
3. Minha Holga. [O que não significa que eu saiba colocar o filme direito]
4. Jimi Hendrix.