azar o seu, querida*

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69 fuck songs #2: love me 2 times.

capa.

01: air//playground love
02: garbage//#1 crush
03: handsome boy modeling school//i’ve been thinking (ft. cat power)
04: isobel campbell & mark lanegan//ramblin’ man
05: beth gibbons & rustin man//tom the model
06: solomon burke//cry to me
07: smokey robinson & the miracles//you’ve really got a hold on me
08: ella fitzgerald//sunshine of your love
09: b.b. king//the thrill is gone
10: chris isaac//baby did a bad, bad thing
11: inxs//never tell us apart
12: peggy lee//fever
13: janis joplin//summertime
14: led zeppelin//dyer maker
15: nina simone//put a spell on you
16: a band of bees//i love you
17: yeah, yeah, yeahs//modern romance

[vamos aproveitar o frio, não é mesmo minha gente?]

caso a gente bata a cabeça e perca a memória.

Te peguei no aeroporto no meio de uma tarde muito azul. Pusemos as cervejas na sua mochila e vimos um belo pôr do sol, conversando sobre peixes, música, anarquia e sobre Jean-Paul Sartre e Simone De Beauvoir. Não existem tantas coisas assim tão bonitas quanto o teu semi-sorriso. Te mostrei o meu lugar preferido e fizemos um jantar/pic nic, onde o prato principal foi o melhor cachorro-quente do mundo. Descemos a rua Augusta. Os corações a 120 por hora. Uma cerveja em cada um dos botecos, até chegar no inferno. O show foi bom. E como dois hippies-punks-rajneeshs atravessamos a rua, porque a noite é uma criança. Não existem tantas coisas assim tão interessantes quanto ver você dançar fazendo cara de malvado. Quando ascenderam as luzes lembrei que o teu café da manhã tinha que ser no centro na cidade, porque gosto de te ver observar. Voltamos pra casa dia claro, feios, sujos e felizes, cruzando com os trabalhadores matinais pelas calçadas. O mundo inteiro acordar e a gente dormir. A partir de agora, eu tomo conta de você.

Nos “casamos” no bar, no fim de uma tarde muito laranja. O “padre” usava tranças e você estava linda de noiva, all star e sorriso. Na nossa festa, os amigos tocaram rock n’ roll a noite toda, e quando as pessoas começaram a dançar em cima da sinuca fugimos com nossos livros e discos pra um sítio com paredes pintadas a dedo e tinta guache. Nos divertimos invadindo casas antigas, dormindo nelas por uma noite como se fossem todas nossas, dançando debaixo da lua cheia ou tomando banho de cachoeira. Fizemos amor, bagunça, arte e diferença, e viajamos de mochila pelo mundo antes de seguirmos juntos os nossos caminhos diferentes. Fomos felizes a nossa maneira, como Jean-Paul Sartre e Simone De Beauvoir. Nunca nos separamos.

“they will see us waving from such great
heights, “come down now,” they’ll say
but everything looks perfect from far away,
“come down now,” but we’ll stay…”

69 fuck songs: ask me.

[re-edition]

ask me.

01: liz phair//flower
02: the doors//the spy
03: radiohead//talk show host
04: marvin gaye//let’s get it on
05: dee joy//trust me
06: cocorosie//good friday
07: janis joplin//i need a man to love
08: maurice williams & the zodiacs//stay
09: chris isaac//wicked game
10: eric clapton//layla
11: the cure//lullaby
12: matchbox 20//disease
13: madonna//justify my love
14: milla jovovich//satellite of love
15: placebo//je t’aime
16: radiohead//nobody does it better
17: snow patrol//make love to me forever

[all you need is love, pam pam ram pa ram]

e-bow: the letter

Dear,
São 4 am e há dias eu não durmo em horários “normais”.
Na quarta fui ver um amigo tocar no Sarajevo, na quinta fui ver o China no Studio SP, na sexta o Ecos Falsos no Outs, no sábado fui dar um abraço de feliz aniversário no Espaço Impróprio e agora estou aqui, ouvindo esta canção, única e exclusivamente porque vi hoje em algum lugar a frase “will you ever welcome me?” e me lembrei do quanto gosto desse disco; escrevendo pra você, num postal de exposição, porque fui capaz de fazer as conexões mais absurdas entre as últimas 120 horas, e na minha insônia lembrei que você prefere dormir de dia. Porque já até te contei que eu quero te levar em todos esses lugares e em mais alguns, mas ainda é secreta essa sensação, como uma ilusão, de que nos divertiríamos muito em todos eles, e que talvez você veria as mesmas coisas que eu vejo, como num filme. A festa nunca termina. E aí hoje à tarde fui ver a exposição do Bob Gruen e de novo lembrei de você. Porque a verdade é que não te conheço o suficiente pra dizer, mas eu gostei de acreditar que você gostaria daquelas fotos tanto quanto eu, e não só delas, mas do que está por trás delas, e talvez até pelos mesmos motivos. Gostei de pensar que toda vez que eu fizesse aquela cara de “eu queria ter fotografado isso” veria você com aquele sorriso de lado, que não mostra os dentes; o mesmo de quando eu contei da minha paixão por casas ou do meu ano e meio de capoeira. E isso não é sobre amor ou romance. Muito mais sobre a curiosidade que tenho a respeito do teu modo de ver as coisas. O teu jeito observador, de fala mansa. Muito mais sobre essa sensação insistente de que deve haver um jeito de viver a vida do jeito que eu gostaria. Olhando daqui deve se parecer um pouco com levar a vida do jeito que você gostaria. Tomara que um dia a gente possa.
Com carinho,

mick, john e yoko por bob gruen.

Exposição “ROCKERS“ @ SALÃO CULTURAL DA FAAP – Prédio 1 // Rua Alagoas, 903 – Higienópolis // de 3ª a 6ª feira, das 10h00 às 20h00 // sábados, domingos e feriados das 10h às 17h00 // info: (11) 3662-7198 // visitas educativas: (11) 3662-7200 // ENTRADA GRATUITA.

[A exposição fica até o dia 01 de junho; a dica foi da querida Bean]

mini diário de uma viagem curta.

Sexta-feira. São Paulo. Avião. Brasília. Avião. Teresina. Mãe. Amigos. Abraços. Avô. Tião. Pappardelle. Mais abraços. Tios e tias. Casa nova. Avô. Mãe. Tião. Tia. Primo. Amigas. Abraços. M2 Publicidade. Teatro JP2. Médelei. Amigos. Conhecidos. Abraços não fazem mal a ninguém. Canto bom. Café Faubert. Amigos. Conhecidos. Tudo Mais. Abraça o meu abraço. Passeio. Quiosque. Sábado. Recepção. Tio, tia, irmãos, comadre. Abraços, abraços, abraços.Casa número 2. Bolo, balão. Casa. Avô. Mãe. Tião. Aniversário. Bolo, guaraná. Tios, tias, primos, nenhuma prima. Mais abraços. Família, família, nunca perde essa mania. Tambo Mambo. Amigos, conhecidos, tangirosca e psicológico. Abraça, abraça, abraça. Domingo. Mamãe, mãe, mãezinha, mainha, manhê. Abraço, abraço, abraço. Sorvete. Riverside. Pão de Açucar. Boys Don’t Cry. Amigos. Conhecidos. O melhor abraço do mundo. Pão de Açucar. Quiosques. Amigos. Segunda. Nesa. Centro. Compras. Casa número 2. Almoço especial. Casa. Avô. Mãe. Tião. Casa do coração. Todas as boas lembranças. Abraço…Cachacinha. Carona. Conhecidos, amigos, mais do que isso. Téo. Casa. Avô. Mãe. Tião. Terça. Avô. Mãe. Tião. Malas. Tias. Despedidas. Aeroporto. Família. Amigos. Abraços, abraços, abraços. Avião. Brasília. Avião. São Paulo. Abraço.

Não há lugar como o lar…mas e quando existe mais de um lar?

Foi bom: ouvir o meu avô, ver a minha mãe, alguns dos velhos amigos, alguns dos novos, algumas boas iniciativas, a família reunida em volta da mesa, um amigo querido cancelando um jantar porque estava com o filho no colo e o céu laranja mais bonito até aqui.

Faltou: comer aquele bolo de chocolate , ver o Boemia, alguns dos velhos amigos, alguns dos novos, aquelas telas, aquele podcast, alguns encontros, alguns abraços, algumas conversas, uma parte da família em volta da mesa e uma tarde inteira comendo caranguejo.

Momento nostalgia: numa época de Boa Noite Teresina e de vizinhos tentando fechar o Boemia, impossível não sentir falta dos tempos em que havia na cidade uma certa “fartura”, não só de boas bandas como de lugares pra elas se apresentarem. Bons tempos de Tequila, Palmares, Melodia, Noé Mendes, Boca da Noite, Boemia I e II e alguns outros lugares, bares, festas e festivais, que serviam de palco pra bandas novas e velhas, covers ou com músicas próprias, de amigos ou conhecidos, quase sempre amigas entre si e que deixaram lembranças de todas as espécies. É provável que essa sensação seja apenas um dos cutucões que o tempo dá na gente, pra avisar que está passando, e que vista sob a lente de aumento da distância física a dita se torne ainda mais melancólica. Mas o fato é que, embalada por essa sensação, resgatei das coisas que ficaram o meu disco do Amigos do Vigia [uma das principais bandas desses bons tempos], e trouxe na mala junto com a constatação recorrente de que essa falta de tempos que não voltam mais é uma das três piores coisas que existem pra se sentir. Ai de mim que sou saudosista.

1. trazer você aqui: amigos do vigia
2. rotina: amigos do vigia
3. mil formas: amigos do vigia
4. por onde andei: amigos do vigia
5. sobre a noite: amigos do vigia
6. corvo: amigos do vigia

outro top cinco questões/considerações, não mais tão curtas mais ainda sem muita importância, de um feriado prolongado.

[01] Ajudar um amigo a pintar uma parede do seu novo apartamento [É, uma parede. É só uma, mas era uma parede grade, poxa.] pode te deixar com dor na munheca por um dia ou dois, manchar o seu velho jeans preferido e cansar horrores ; mas é uma atividade sabática, por assim dizer, e que ainda pode te fazer tomar conhecimento da música mais bonita da semana. Enquanto isso, por aí, só se fala na trilha sonora do Spiderman 3, talvez porque o Spiderman 3 vai estrear no fim de semana, não sei, enfim, de todo jeito eu, como de costume, não gostei. Da trilha, que fique bem entendido.

[02] Sabe aqueles lugares onde as pessoas se divertem, genuinamente, independente de qualquer coisa, e se acabam de dançar sem se importar se o cabelo vai sair do lugar ou se vão ter que parar de fazer pose pra isso; e você bate papo no banheiro, ou na fila, ou no sofá, com pessoas que você nunca viu porque existe aquela prática social de puxar conversa? E as pessoas riem umas pras outras, e se abraçam e se beijam e se divertem genuinamente independente de qualquer coisa, ou carão? Pois é, o Vegas, apesar de lindo e bem produzido, nunca foi assim comigo. E olha que eu já dei três chances. Em compensação, a Augusta continua sendo um dos melhores lugares de todos. Seja pra tomar um café no charmoso Frida, do lado dos Jardins, num fim de tarde, com uma amiga querida que você não via há um tempo e seu [literalmente] consorte; seja pra virar a noite, do lado do centro, simplesmente passeando, botecando, conversando, observando a pessoas, rindo e comendo coxinha. E ainda teve uma lua cheia linda no final.

[03] Nós Que Não Somos Como as Outras é o terceiro livro da escritora espanhola Lúcia Etxebarria, considerada pela crítica “a mais nova estrela do cenário literário espanhol e uma das mais talentosas escritoras de sua geração”. Eu, no entanto, achei o livro repetitivo [chato em alguns momentos] e muito aquém de Amor, Curiosidade, Prozac e Dúvidas, o primeiro livro da moça, muito mais bem escrito e substancioso, presente vindo d’além mar. A curiosidade agora é pela biografia de Courtney Love e pelo aclamado Beatriz e os Corpos Celestes, considerado o melhor da escritora até agora. De qualquer modo, estou de novo sem ter o que ler, além de livros e texto de história da arquitetura e do urbanismo modernos. Acudam.

[04] Enquanto isso a revista Mundo dos Super Heróis, que conta com a colaboração do, por mim querido, casal Tarsis Salvatore & Gabriela Franco, dá conta que o Capitão América morreu. De novo? Não sei. Muito cruel da minha parte dizer que já foi tarde? Pouco diplomático, tá tá, eu sei. Enfim. A revista é muito boa [o número atual traz uma matéria ótima de 30 páginas sobre as 8 fases dos X-Men] e eu juro que não estou dizendo isso porque usaram comigo a tática do traficante de drogas [A primeira dose de graça, hein? Já agradeci o presente? Não. Ai que mal educada. Obrigada, viu?!]

[05] Eu gosto de ganhar vídeos fofos de presente, pra dividir com os outros.

das coisas nascem as coisas.

[bônus track] “E não vai falar da Virada Cultural?” Vou, mas rapidinho. A Virada esse ano [já na terceira edição] está bem divulgada e diversificada: tem show, performance, oficina, filme, teatro e dança pra todos os gostos em todos os cantos da cidade. Dá pra ver a programação completa aqui, o difícil é escolher o que se vai ver. Eu queria Tom Zé no CEU Parque Veredas, Nação Zumbi na Praça da Sé, China no Sesc Pompéia, Roque Moreira na Praça do Aprendiz, Pato Fu no Anhangabaú e Cordel do Fogo Encantado, seja lá onde for. Mas sabe como é, eu sou uma só e ainda tem o aniversário da Dea, o aniversário do Tarsis, a reunião com a Marina, a estréia do Spiderman 3, os 4 filmes que eu baixei e não vi, a casa pra arrumar, a roupa pra lavar…

miaazaroseuquerida