i’m just sitting on the shelf.
Disco da semana.

why do you let me stay here?*
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Disco da semana.

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A verdade é que eu não gosto de carnaval. Uma meia dúzia de fotos felizes em bailes carnavalescos dos clubes de Teresina, nos primórdios da década de oitenta, quando eu tinha então uns seis ou sete anos, indicam que eu não posso usar a frase “nunca gostei de carnaval”. Mas agora a verdade é que não gosto. De carnaval, entenda. Uma bateria de escola de samba exerce sobre mim um fascínio enorme, e considero poucas coisas tão deliciosamente fofas e irreverentes quanto marchinhas de carnaval. Mas do carnaval em si, não, eu não gosto. Talvez porque, fora aqueles carnavais das fotografias antigas da minha mãe, eu nunca tenha tido um carnaval decente. Ou indecente já que trata-se de carnaval. Anyway. Não importa. O que importa é que hoje eu recebi, em forma de vídeo, uma das coisas mais bonitas vistas por mim nos últimos tempos. Trata-se do registro da “serenata” que o bloco de carnaval carioca Gigantes da Lira faz [ou fazia] todos os anos para a Dona Elizabeth. O vídeo é do ano de sábado passado [Lucas, obrigada pelo comentário e update], da Dona Elizabeth eu nada sei [a não ser que é uma senhora, visivelmente, de outros carnavais] e do Gigantes da Lira, apenas o que me contou o Overmundo. Mas quem se importa? Por causa desse vídeo hoje eu vou dormir bem, achando que a vida é mesmo cheia de coisas bonitas e que fevereiro, apesar de já começar com o tal carnaval, vai ser melhor que janeiro, porque afinal de contas tudo se ajeita. Piegas que só. Ah, se tu soubesses.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=vBEjmBWikMk]
>>Trilhas sonoras são das minhas coisas preferidas em relação ao cinema. Adoro ver um filme bom, que ainda por cima me mostra uma música adorável, que eu ainda não conhecia. Às vezes, nem preciso ver o filme, o trailer já é suficiente pra me fazer querer ouvir uma certa música por um dia inteiro e só ir dormir depois de ter conseguido a dita. Foi o que aconteceu no caso de Le Scaphandre et le Papillon, indicação feita pela minha amiga Rita Prado que acabou me levando até Ultra Orange & Emmanuelle e sua fofa canção Don’t Kiss Me Goodbye.

>> Da mesma forma, passei dois dias inteiros ouvindo a californiana April March [que também faz desenhos animados] por causa de Death Proof. É dela a versão para Laisse Tomber les Filles, de Serge Gainsbourg, que toca nos créditos finais da metade Tarantino de Grindhouse. Fico alternando entre a versão em francês e a versão em inglês e tenho um dia feliz. Menção honrosa para as capas dos discos da moça, que são todas lindas. Dá pra ver aqui.

>> Com quase dez mil músicas no HD muita coisa acaba não sendo ouvida com a freqüência merecida. O prêmio de redescoberta da semana vai para Out Of Season [2003], disco solo de Beth Gibbons, ex-vocalista daquela banda capaz de matar uma pessoa do coração; o Portishead. Romance é a faixa preferida da vez [You know what they say about romance/You know what they say about romance/Ever changing love that you can’t/Keep on side a parking keel/Better the thought than the feeling/It’s plain to see/All the things we suffer/From the the hands of humanity/But that ain’t me/That ain’t me/But that ain’t me/That ain’t me/And I know there’s a god inside it/Should I love your key/Adorn you/And get inside/But that ain’t me/That ain’t me/But that ain’t me/That ain’t me/And I know I may come to doubt it/But if I ever wish/I wish we could all believe/ That in this daylight world/Is a world/ Where love can be/ And I won’t ever forget it/ Cuz that ain’t me/ That ain’t me/ Cuz that ain’t me/ Well that ain’t me].
>>Sem falar na parte John Frusciante da coisa…*Suspiro.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=rJYCny95qog]
>> “IdeiaFixa é uma revista digital internacional de fotografia, design, ilustração e artes plásticas. Seu objetivo é inspiração, visão e promover os artistas participantes. Ela é lançada mensalmente e cada edição possui um tema específico. A IdeiaFixa escolhe trabalhos que sejam contemporâneos [retrô também pode ser moderno e contemporâneo] e cosmopolitas. Trabalhos que tenham a ver com a visão atual do mundo. Não será aceito na publicação material que não condiga com o tema da edição. Esperamos que você curta. Alicia Ayala e Janara Lopes [editoras da IdeiaFixa art e-magazine]”

>>E não era pra ser verão? Impressionante como esfriou nos últimos dias. Por dentro e por fora.

[ilustração: luiza pannunzio]
1. guided by voices: awfull bliss
2. the national: watching you well
3. feist: lonely, lonely
4. fernanda fez: the lizard and the frog
5. die cowboy die: nothing but parts
A revista Bravo desse mês traz como matéria principal o filme Cidade dos Homens e disserta sobre como seu precursor, Cidade de Deus, mudou o cinema brasileiro. Bom, eu ainda não vi Cidade dos Homens. Nem quando era uma série. Mas eu me lembro bem do impacto que Cidade de Deus teve sobre mim. Me lembro bem de ter visto o filme, sozinha, numa das salas [vazias] do Teresina Shopping. Me lembro bem do desespero de não ter com quem comentar aquele absurdo, aquela feladaputice, no momento em que ela acontecia, diante dos meus olhos. Voltando pra casa ainda senti ânsias lembrando de certas cenas. Me lembro bem das cores, da edição rápida, do roteiro “nervoso”, e de toda a comoção que foi um tempo depois, em torno do filme. Me lembro da entrevista de Katia Lund, co-diretora do projeto, nas páginas vermelhas da TPM. E não é preciso dizer que houve sim coisas muito boas antes disso, já que obviamente não há como se esquecer de Central do Brasil, pra citar apenas o top dos tops. Mas também me parece desnecessário dizer que não há como negar, clichês à parte, que Cidade de Deus foi sim um marco no cinema nacional.

Quando eu era criança falar em cinema nacional era falar em putaria. Nenhum adulto conhecido comentava sobre como Deus e o Diabo na Terra do Sol ou Terra em Transe eram importantes, ou achava que Pixote seria um clássico, ou dava a menor importância pro Beijo da Mulher Aranha; e tirando os filmes dos Trapalhões e da Xuxa [com exeção de Amor Estranho Amor, naturalmente] éramos todas proibidas de ver as películas nacionais exibidas pela Bandeirantes, num dia da semana que eu não me lembro qual, depois da dez.

Mais um pouco e em 1990 as coisas pioraram; o fim da Embrafilme foi o começo de um período nebuloso para o cinema brasileiro, que só deu os primeiros passos de volta à luz em 1995, com uma lei de incentivo cultural criada pelo Ministério da Cultura. São dessa época filmes como Carlota Joaquina, A Ostra e o Vento, Guerra de Canudos e, os meus preferidos de então, O Que É Isso Companheiro e Terra Estrangeira. Em 1999 veio Central do Brasil e uma indicação ao Oscar, que revitalizou o cinema nacional. Cidade de Deus, de 2002, foi o grande sucesso dessa fase, chamada de “a retomada”.

Na minha opinião, embora eu concorde com Ana Bean em alguns pontos no que diz respeito aos roteiros, o cinema nacional tem ido muito bem ultimamente. Não vi os comentados Não Por Acaso e O Cheiro Do Ralo [juro, não vi O Cheiro do Ralo], mas vou estender o meu “ultimamente” e dizer pela milésima vez que Lavoura Arcaica é uma das maiores feladaputices nacionais que eu já vi na vida. Além disso, dos nacionais que vi mais recentemente, O Céu de Suely também fez meu coração bater mais forte, com o seu realismo; Houve Uma Vez Dois Verões é melhor do que muita comédia romântica adolescente americana por aí; Cão Sem Dono é o meu segundo nacional preferido ever, além de ter uma das músicas mais bonitas do ano na trilha [meus agradecimentos especiais à própria Fernanda Fez, que me enviou o arquivo em mp3, acabando com a minha busca desesperada] e O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias é tão bonito visualmente, tão tocante, tão difícil, tão triste e me fez sofrer tanto e tanto de saudade que eu acho que dispensa maiores comentários.

Mas essa conversa toda é, enfim, um pretexto pra eu expressar o meu mais profundo interesse pelo novo filme de Leandra Leal, Nome Próprio, dirigido por Murilo Salles [o mesmo de Como Nascem os Anjos] e baseado em livro de Clarah Averbuck. O filme ainda não tem trailer, mas tem um blog e o lançamento está marcado pro dia 21 de Setembro, na abertura da Premiére Brasil do Festival de Cinema do Rio. Tão aguardado quanto Cão Sem Dono. Esperando gostar tanto quanto.

Pessoas amadas normalmente conseguem convencer seus admiradores a fazer o que elas desejam muito facilmente. Certas pessoas se aproveitam disso, e do meu visível gosto por tudo que tenha relação com música, e eis que aqui estou participando de mais um meme, que começou pra divulgar um serviço da Music Store da Tim [o povo ainda tem esperança de achar um jeito de fazer as pessoas comprarem música na internet].
A idéia dessa vez é listar cinco músicas e dar um sentindo pra essa seleção. Eu resolvi homenagear os Cuzões Anônimos. Mas calma. Não se trata de anônimos de uma forma geral. Os supracitados na verdade pertencem a uma associação: a associação dos tímidos incapazes de declarar o seu amor, a sua paixão, a sua vontade, o seu tesão, o seu interesse, o seu sentimento, enfim.
Nas palavras de um dos fundadores do movimento: “Basta uma olhada no espelho e lá estará o coração, todo escancarado, balançando de um lado para outro, preso por uma mola. E poucas palavras confirmam a situação: claro, existe uma paixão por trás disso tudo. E há a vontade de fazer as sensações transcenderem o isolamento. E daí você tenta abrir a boca para uma indireta ou declaração, e nada. E só na terceira tentativa você percebe os lábios costurados. Mas o pior é descobrir que o responsável por essa obra da alfaiataria sentimental é você mesmo, meu caro. Bem vindo ao clube: você é mais um CUZÃO ANÔNIMO. Os CUZÕES ANÔNIMOS, antes de mais nada, são crentes do amor. Eles desprezam todas essas teorias modernas que tentam diminuir a importância do amor romântico e monogâmico. O C.A. acredita na prática da felicidade a dois, com passeios de mãos dadas e sexo gostoso em tardes preguiçosas debaixo dos cobertores. Mas para que isso aconteça, é preciso que ele enfrente a si mesmo para conseguir expressar esses desejos à pessoa amada. Os C.A. são grandes amantes, mas são incompetentes na ‘área comercial’. (…) Além disso, os CUZÕES ANÔNIMOS são hábeis ficcionistas, pois sempre estão a inventar soluções para seus dilemas, que nunca passarão para o campo prático. Finais felizes para histórias que eles nem conseguiram dar início. Reciprocidades e indiretas (e mesmo diretas) da parte desejada surtem poucos efeitos, pois acabam acumuladas num depósito cheio de caixas com uma etiqueta com a dúvida ‘SERÁ?’ estampada. Uma dica para quem quiser conquistar um CUZÃO ANÔNIMO é utilizar um luminoso anunciando a sua intenção (recomenda-se também o nome e o sobrenome do incauto). Os CUZÕES ANÔNIMOS sonham com o desenvolvimento das ciências telepáticas. ‘Ah, se ela soubesse o que eu sinto agora, em um segundo estaria aqui implorando meus beijos’, sempre torcendo em silêncio para serem notados (…)”. [Ian Black in O Manifesto dos Cuzões Anônimos]
Pois bem. O fato é que eu sou uma C.A. minha gente. As pessoas não acreditam, mas é verdade. Sempre fui. Juro. Na quarta série fiz o meu melhor amigo apanhar por entregar uma carta minha [anônima] para o bruto dono do meu coração de infante, que despedaçou com fúria a missiva. Na quinta séria não foi muito diferente; demorei tanto tempo, mas tanto tempo pra chegar perto do menino que me dava dor de barriga, que quando finalmente começamos a conversar [na quinta série é o que se faz meu povo, se conversa] era fim de ano, férias, ele mudou de cidade e sumiu no mundo sem avisar. Na sétima série foi ainda pior, já que o moço também era um C.A. [sabe como é, tenho uma queda por sorrisos tímidos]. Nem preciso dizer o que aconteceu. Até porque não aconteceu nada. E isso definitivamente foi só o começo. As coisas hoje em dia melhoraram um pouco. Mas só um pouco. Ter coragem pra ligar e disfarçar bochechas vermelhas e tremedeiras no geral ainda não são tarefas fáceis, por exemplo. Já em diálogos imaginários e na entoação dos mantras “me liga, me liga, me liga” e “me beija, me beija, me beija”, posso me considerar gabaritada. E é com os poderes a mim concedidos pelos sei lá quantos beijos que eu não dei [shyness is nice/ and shyness can stop you/from doing all the things in life /you’d like to] que eu lhes apresento meu top cinco hinos dos cuzões anônimos.
5. berne_nas nuvens: foi por causa dessa singela canção, de uma banda paulistana que infelizmente já acabou, que eu fiquei conhecendo o C.A. Enfim eu não estava mais sozinha no mundo. “Eu não sei o que fazer/eu não sei o que vou ver/eu não sei o que falar/mas eu sei o que vou escrever” é bem o começo de tudo.
4. the postal service_such great heights: I am thinking it’s a sign/ that the freckles in our eyes are mirror images/… And I have to speculate/that God himself did make us into corresponding shapes/like puzzle pieces from the clay/(…)They will see us waving from such great heights/”Come down now”…/They’ll say/But everything looks perfect from far away/ “Come down now”… But we’ll stay. [“onomatopéia para suspiro” ai, ai]
3. belle&sebastian_simple things: as coisas não são nada simples, “i saw your arms in a dream”, “if you want me you know were i am” e “all you have to do is ask a thousamd questions” [mentira, uma só, a certa, já é suficiente].
2. the everly brothers_all I have to do is dream: enquanto isso tudo o que eu tenho que fazer é sonhar [When I want you in my arms/ When I want you and all your charms/ Whenever I want you/ All I have to do/ Is Dream… Dream Dream Dream/ When I feel blue/ In the night/ When I need you/ To hold me tight/ Whenever I want you/ All I have to do/ Is Dream… Dream Dream Dream/I can make you mine/ Taste your lips of wine/ Any time, night or day/ Only trouble is/ Gee Whiz/ I’m dreamin’ my life away/ Oh I need you so/ That I could die/ I love you so/ And that is why/ Whenever I want you/ All I have to do/ Is Dream… Dream Dream Dream Dream]. A letra dessa música inteira é um hino c.a., e ela só não leva o primeiro lugar porque…
1.dashboard confessional_hands downs: a parte que diz “My hopes are so high that your kiss might kill me/ So won’t you kill me, so I die happy/ My heart is yours to fill or burst/ to break or bury/ or wear as jewelery/ Which ever you prefer” é de uma feladaputice que doi no coração de qualquer c.a. Ui.

ps.: Não há indicados dessa vez. Quem quiser participar do meme manda o link nos comentários e o post será atualizado.
pps.: Creep e Ask ficaram de fora dessa lista porque são indiscutíveis.
ppps.: “If there’s something you’d like to try…lálálá”
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