azar o seu, querida*

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sem título nº12

“Querida Flor,
Guardas o meu coração.
Como seria então possível não me apaixonar? Pelos teus verdes e azuis, vermelhos, amarelos e laranjas. Pelas tuas curvas e elevações. O brilho do mar nos teus olhos. O sol no teu céu. Guardas o meu coração. E como então não ouvir, repetidamente e num querer de para sempre, essas canções que nos acompanharam até aqui? Tuas músicas. Tuas vozes. Teus barulhos. Tuas gírias. Trilha sonora. Guardas o meu coração. Os meus [teus] olhos. A minha [tua] boca. Guardas agora um meu querer. Os meus diálogos imaginários. As borboletas em festa da minha barriga. As palavras, ditas e não ditas por nós. As melhores idéias. As maiores vontades. Guardas o meu desejo. Inteiro. Intenso. Só pra ti. Querida Flor. Guardas o meu coração. E sendo assim guardas também a minha dúvida, a minha urgência, a minha saudade, o meu não saber. E quem saberá? Guardas o meu coração. As mãos dadas. As festas nas ruas. A tranqüilidade do cotidiano. O amor em quartos de hotel. O sorriso fácil e tão simples. A embriaguez. As fotografias. Os fogos de artifício. As possibilidades. O que há de vir, se haverá de vir.
Querida Flor.
Guardas o meu coração?
Com cuidado.
E bem querer.

Da tua.”

pictures of you.

“Fui eu que roubei todas as tuas fotografias. Numa sexta-feira dessas em que estavas no botequim. Quase todas. As polaroids, deixei onde estavam. Essas eu não quis. As outras todas levei comigo. E estudo agora o pedido de resgate, enquanto analiso todos os teus olhos e todas as tuas bocas e todas as tuas expressões. Todos esses dias. Uma vez te pedi. Tu disse: todos. Posso provar. Posso cobrar. Eu te proponho.”

pictures of you.

ouvindo: pictures of you/the cure

“when you have insomnia, you’re never really asleep… and you’re never really awake.”

E depois da insônia de vários dias, tudo que eu queria essa noite era dormir com o rosto apoiado na tua nuca.

*conclusão baseada [entre outras coisas] em texto de Jader Pires, no blog A Bossa Nostra.
A seguir continuaremos com a nossa programação normal.

email.

“A bagunça invadiu o meu sono. Não se contentou em ficar rolando pela casa. Tampouco se contentou com as horas, mal distribuídas nas últimas três semanas, entre o trabalho, e todo o resto. Invadiu o meu sono. E aí tem um monte de coisas, bandas, sites, pessoas, vídeos, livros, fotografias, revistas e até situações, que eu gostaria de mostrar, ou sobre as quais eu quero falar, e não consigo. Fico aqui sentada no meu chão, ouvindo essas canções que entraram porta a dentro sem bater. E até ensaio escrever alguma coisa mais pessoal do que deveria, como nos velhos tempos. Sobre a câmera nova, sobre os presentes de aniversário, sobre envelhecer, sobre as novas percepções. Mas só ensaio. Fico aqui deitada no meu chão. Ouvindo essas canções. Aproveitando esse momento. Quieta. Quero ficar tão quieta quanto possível. Calma. Just listening…Às vezes penso que sou capaz de ficar aqui pra sempre. Mas eis que vem chegando o feriado.“

carta aberta a jack bauer.

Caro Jack,
Eu tentei.
Mentira. Eu não tentei. Não muito. Na verdade uns episódios naquela temporada em que a minha amiga Josie esteve aqui e todos dormíamos mais tarde. Isso é tentar não é? Bom, o fato meu bem é que eu prefiro o McClane. Ainda mais agora, depois desse Duro de Matar 4 [mais um oferecimento Blogger’s Cut]. Presta atenção, uns 20 anos antes de você aparecer, contando os minutos e tudo o mais, o McClane já arregaçava tudo lá no Nakatombi Tower pra salvar a Holly. E agora, 3 filmes depois, continua arregaçando tudo pra cima de uns terroristas cibernéticos. Não, não, a Holly é uma ingrata e não quer mais saber do pobre, mas ele tem que salvar a filha e o resto dos Estados Unidos e sabe como é, não tem mais ninguém pra fazer. E nem é porque você não derruba helicópteros com um carro Jack, não faz assim. Eu sei que você tem as suas qualidades. Mas acho que você é meio certinho demais pro meu gosto sabe? Sem contar que ele é bem mais bonito, mesmo todo arrebentado e todo sujo de sangue, olha aí. Quem sabe se você quebrasse mais o pau, mais brigas, mais cicatrizes, sá’comé que é? Ou vai ver que é porque você é uma série né? E eu perdi a minha paciência com séries na última temporada de Barrados no Baile. Quem sabe se você fosse um filme…Por falar em filme, não deixa de ver hein Jack? Live Free or die Hard. McClane continua ótimo, o diretor da conta do recado direitinho, as atuações estão todas boas [destaque para Justin Long, o hacker, Maggie Q, a vilã, e Kevin Smith, o “jedi”] o roteiro funciona, as piadas também [e acho que todo mundo já entendeu que não é pra levar a sério e esperar verossimilhança] e algumas sequências são inacreditáveis [já contei que ele derruba um helicóptero com um carro? Já?].
Vai ver, vai, Jack.
E leva a sua filha.
Atenciosamente,

die hard.

Três de Agosto nos cinemas.

bc

e-bow: the letter

Dear,
São 4 am e há dias eu não durmo em horários “normais”.
Na quarta fui ver um amigo tocar no Sarajevo, na quinta fui ver o China no Studio SP, na sexta o Ecos Falsos no Outs, no sábado fui dar um abraço de feliz aniversário no Espaço Impróprio e agora estou aqui, ouvindo esta canção, única e exclusivamente porque vi hoje em algum lugar a frase “will you ever welcome me?” e me lembrei do quanto gosto desse disco; escrevendo pra você, num postal de exposição, porque fui capaz de fazer as conexões mais absurdas entre as últimas 120 horas, e na minha insônia lembrei que você prefere dormir de dia. Porque já até te contei que eu quero te levar em todos esses lugares e em mais alguns, mas ainda é secreta essa sensação, como uma ilusão, de que nos divertiríamos muito em todos eles, e que talvez você veria as mesmas coisas que eu vejo, como num filme. A festa nunca termina. E aí hoje à tarde fui ver a exposição do Bob Gruen e de novo lembrei de você. Porque a verdade é que não te conheço o suficiente pra dizer, mas eu gostei de acreditar que você gostaria daquelas fotos tanto quanto eu, e não só delas, mas do que está por trás delas, e talvez até pelos mesmos motivos. Gostei de pensar que toda vez que eu fizesse aquela cara de “eu queria ter fotografado isso” veria você com aquele sorriso de lado, que não mostra os dentes; o mesmo de quando eu contei da minha paixão por casas ou do meu ano e meio de capoeira. E isso não é sobre amor ou romance. Muito mais sobre a curiosidade que tenho a respeito do teu modo de ver as coisas. O teu jeito observador, de fala mansa. Muito mais sobre essa sensação insistente de que deve haver um jeito de viver a vida do jeito que eu gostaria. Olhando daqui deve se parecer um pouco com levar a vida do jeito que você gostaria. Tomara que um dia a gente possa.
Com carinho,

mick, john e yoko por bob gruen.

Exposição “ROCKERS“ @ SALÃO CULTURAL DA FAAP – Prédio 1 // Rua Alagoas, 903 – Higienópolis // de 3ª a 6ª feira, das 10h00 às 20h00 // sábados, domingos e feriados das 10h às 17h00 // info: (11) 3662-7198 // visitas educativas: (11) 3662-7200 // ENTRADA GRATUITA.

[A exposição fica até o dia 01 de junho; a dica foi da querida Bean]

Next,

miaazaroseuquerida