[sem título]
Dear,
Na semana que acabou de passar eu comecei dois trabalhos novos. Fui num show de samba. Me sentei numa mesa naquele boteco sujo com aquele compositor famoso, sambistas, produtores e amigos. Dudu Nobre passou pra dar um alô. Conheci uma mulher dama que me garantiu que somos, todos, a imperfeição do mundo. Almocei com uma amiga querida. Tomei sorvete de graviola. Finalmente vi um show de Lulina e cantei junto com todas as outras moças do lugar. Recebi aquele telefonema e ouvi aquele sotaque que eu adoro por quase uma hora. Esperei por um email que nunca veio. Assisti uma comédia romântica pra tentar chamar o sono. Tive um dia cheio e com horários, como os que eu não tenho desde agosto. Fiz um teste. Coloquei uma flor no cabelo e fui ouvir um moço chamado Tibério Azul cantar Chico Buarque no meu lugar preferido. Sorri a noite toda. Dancei; sozinha e com um estranho simpático que me rodopiou no ar. Dormi até tarde. Paguei as contas e o domínio pra botar o meu bloco na rua. Trabalhei. Comprei uma cadeira nova. Conheci um lugar incrível, que eu adoraria te mostrar. Comi o melhor nhoque do mundo. Tive um domingo perfeito com três dos meus melhores amigos e quis, com todas as forças, me mudar pruma casa no campo, com meus discos, meus livros, meus amigos, um cachorro chamado Tim Maia, e nada mais. Me embriaguei com vinho artesanal. Sonhei com o melhor email do mundo; que nunca veio.
Foi uma semana incrível.
E eu senti a tua falta todos os dias.
No fim de tarde de segunda. Na mesa do boteco sujo. No meio do show de Lulina. Quando acordei na quinta-feira. Quando fui dormir na quinta-feira. Dançando sozinha e repetindo versos de Chico. Quando acordei no sábado. Quando enjoei de trabalhar. Na loja de móveis. Na Serrinha. No cochilo de domingo. Quando acordei de um sonho bom. E agora.
É. Eu sei.
Tanto tempo e ainda não aprendi a me despedir.



One Comment, Comment or Ping
Jaime
Juliana,
Ao ler este seu texto recordei-me de uma canção de um dos meus cantores-compositores-letristas preferidos. Ela é “Hey, that’s no way to say goodbye”. Ele é o genial Leonard Cohen. Na presença de quem tive a felicidade de me encontrar há não muito tempo. E me fez sentir se morresse no minuto seguinte morreria mais feliz. Eu também gosto de assistir a concertos, tal como você.
Não sei de nenhum vídeo bom no youtube dessa canção, mas de qualquer modo a canção é linda e acho que deve ser escutada. E se houver interesse no Leonard Cohen há um excelente “Live in London” para descobrir.
Voltando ao texto, fez-me lembrar os tempos do “Casa de Papel”. Os tempos da patinadora sentada na privada. É, eu tenho boa memória. E ainda lembro o quanto punha de coração nas coisas que escrevia. Com os sonhos e ilusões todas intactas.
Este texto tem verdade e coração.
Mas, também gosto do que tem feito aqui no “Azar o seu…”, tem sido um trabalho de divulgação de cultura com bom gosto e tem rendido algumas descobertas interessantes.
Um dia a vida há-de sorrir àqueles que se dão.
Felicidade nos dois trabalhos. E em próximos. Felicidades para a vida. Pela vida fora.
Abraço, porque sei que gosta de abraços
Jaime
Nov 10th, 2009
Reply to “[sem título]”