azar o seu, querida*

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o cinema nacional e meu novo objeto de desejo.

A revista Bravo desse mês traz como matéria principal o filme Cidade dos Homens e disserta sobre como seu precursor, Cidade de Deus, mudou o cinema brasileiro. Bom, eu ainda não vi Cidade dos Homens. Nem quando era uma série. Mas eu me lembro bem do impacto que Cidade de Deus teve sobre mim. Me lembro bem de ter visto o filme, sozinha, numa das salas [vazias] do Teresina Shopping. Me lembro bem do desespero de não ter com quem comentar aquele absurdo, aquela feladaputice, no momento em que ela acontecia, diante dos meus olhos. Voltando pra casa ainda senti ânsias lembrando de certas cenas. Me lembro bem das cores, da edição rápida, do roteiro “nervoso”, e de toda a comoção que foi um tempo depois, em torno do filme. Me lembro da entrevista de Katia Lund, co-diretora do projeto, nas páginas vermelhas da TPM. E não é preciso dizer que houve sim coisas muito boas antes disso, já que obviamente não há como se esquecer de Central do Brasil, pra citar apenas o top dos tops. Mas também me parece desnecessário dizer que não há como negar, clichês à parte, que Cidade de Deus foi sim um marco no cinema nacional.

cidade de deus.

Quando eu era criança falar em cinema nacional era falar em putaria. Nenhum adulto conhecido comentava sobre como Deus e o Diabo na Terra do Sol ou Terra em Transe eram importantes, ou achava que Pixote seria um clássico, ou dava a menor importância pro Beijo da Mulher Aranha; e tirando os filmes dos Trapalhões e da Xuxa [com exeção de Amor Estranho Amor, naturalmente] éramos todas proibidas de ver as películas nacionais exibidas pela Bandeirantes, num dia da semana que eu não me lembro qual, depois da dez.

terra em transe.

Mais um pouco e em 1990 as coisas pioraram; o fim da Embrafilme foi o começo de um período nebuloso para o cinema brasileiro, que só deu os primeiros passos de volta à luz em 1995, com uma lei de incentivo cultural criada pelo Ministério da Cultura. São dessa época filmes como Carlota Joaquina, A Ostra e o Vento, Guerra de Canudos e, os meus preferidos de então, O Que É Isso Companheiro e Terra Estrangeira. Em 1999 veio Central do Brasil e uma indicação ao Oscar, que revitalizou o cinema nacional. Cidade de Deus, de 2002, foi o grande sucesso dessa fase, chamada de “a retomada”.

terra estrangeira.

Na minha opinião, embora eu concorde com Ana Bean em alguns pontos no que diz respeito aos roteiros, o cinema nacional tem ido muito bem ultimamente. Não vi os comentados Não Por Acaso e O Cheiro Do Ralo [juro, não vi O Cheiro do Ralo], mas vou estender o meu “ultimamente” e dizer pela milésima vez que Lavoura Arcaica é uma das maiores feladaputices nacionais que eu já vi na vida. Além disso, dos nacionais que vi mais recentemente, O Céu de Suely também fez meu coração bater mais forte, com o seu realismo; Houve Uma Vez Dois Verões é melhor do que muita comédia romântica adolescente americana por aí; Cão Sem Dono é o meu segundo nacional preferido ever, além de ter uma das músicas mais bonitas do ano na trilha [meus agradecimentos especiais à própria Fernanda Fez, que me enviou o arquivo em mp3, acabando com a minha busca desesperada] e O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias é tão bonito visualmente, tão tocante, tão difícil, tão triste e me fez sofrer tanto e tanto de saudade que eu acho que dispensa maiores comentários.

o ano em que meus pais sairam de férias.

Mas essa conversa toda é, enfim, um pretexto pra eu expressar o meu mais profundo interesse pelo novo filme de Leandra Leal, Nome Próprio, dirigido por Murilo Salles [o mesmo de Como Nascem os Anjos] e baseado em livro de Clarah Averbuck. O filme ainda não tem trailer, mas tem um blog e o lançamento está marcado pro dia 21 de Setembro, na abertura da Premiére Brasil do Festival de Cinema do Rio. Tão aguardado quanto Cão Sem Dono. Esperando gostar tanto quanto.

nome próprio.

19 Comments, Comment or Ping

  1. leandra leal, be my bride… :D

  2. eu sou uma completa entusiasta do cinema nacional.

  3. garotabossanova

    Puxa!Adorei o seu post sobre o cinema nacional e concordo com vc,Cidade de Deus é um marco.Assisti-o num cinema junto com um grupo de colegas e quando saí da sala era impressionante como o mundo cá fora parecia surreal e não a verdade lá dentro.Vc citou muitos filmes que eu ainda não vi, mas sempre é tempo.Abraço grande!

  4. O que eu acho irritante no cinema nacional é a necessidade de atrair o público com atores de novela. Ninguém aceita o desafio de pôr o filme em exibição pelo que acredita que ele é, tem que ter um “global”. E veja o contra-exemplo: em Cidade de Deus o único conhecido era o Nachtergaele, coadjuvante, e foi sucesso de público, porque o filme é bom. Eu ando de nariz torcido para o cinema nacional por isso, é preciso ousar também com os atores. No mais, concordo contigo.

  5. dea

    toda vez que vejo você falar de lavoura arcaica coloca na minha lista de must. acho que agora vou passá-lo para lista must must. e se você amou cão sem dono, vale à pena ler as crônicas do daniel galera (autor do livro). [p.s. tá chegando].

  6. Jean Piter Inzaghi

    Cidade de Deus é para mim o melhor filme nacional que já vi. Gostei muito do “Abril despedaçado”, “Lisbela”, “Sexo, amor e traição” entre outros, e com certeza o cinema brasileiro evoluiu muito, para melhor!

    Vou assistir “Cidade dos Homens” no próximo sábado.

  7. Jú!
    feladaputice foi esse teu texto!
    mUUUUUUito bom!

    nossa… lembrei de filmes que há tanto tempo eu vi e nem me dava mais conta disso.
    lembrei de outro que jurei à mim mesma que tinha que assistir urgentemente. e ainda assim, esqueci!

    Ah.. que delícia!
    putzgrila!

    um beijo!

  8. ju, e já que vc falou em ‘houve uma vez dois verões’, tenho que dizer que jorge furtado é feladaputa. adoro a forma como ele constroi seus roteiros e isso independentemente de longa ou curta. e eu adooooro o ‘homem que copiava’.
    conhece o site casa de cinema de porto alegre? lá tem todos os roteiros do furtado e outros trabalhos feitos por uma galera boa que faz cinema no sul. vale a pena.
    saudade

  9. Nunca e tarde pra aprender uma monte de coisa, hein? Demais, seu texto, me fez sentir (mais) falta de uma das coisas que eu tenho (mais) saudades do Brasil.. o cinema. Aqui, so Cidade de Deus mesmo. :(

  10. Dri

    Hoje é seu aniversário! Você se sente bem maior, bem maior, bem maior do que era antes? :D

  11. OI Jú!

    queria dizer que as “Mulheres sob Descontrole” tê, agora, um divã novinho em folha!

    http://mulheressobdescontrole.wordpress.com/

    Aparece por lá!
    beijo!

  12. still alive? :D

  13. folhetinesco

    fiz uma boa retrospectiva lendo suas impressões sobre essas películas e também foi legal partilhar das suas expectativas. :)
    e, obrigada por estar sendo aí companhia legal da minha companhia mais legal.[ela é a cláudia e eu, a carol]

    beijinhos

  14. adorei o texto! compartilho o interesse e a paixão pelo cinema nacional…

  15. ain Ju. Eu concordo com tudo, tudinho. Mesmo.
    Principalmente as feladapitices e os marcos do cinema nacional.
    E acho que o dia dos filmes de putaria que passava na bande era quarta. uahuahua E teve uma época que o sbt passou tb, acho que sábado. Não, eu nã sou expert no assunto, só tenho uma boa memória. uahuahuahhuah
    Beijo

    resposta:
    sei viu, dona fada, sei…

  16. Eu lembro também de quando assisti o Cidade de Deus, e a sensação foi pareciada e realmente muita coisa mudou, e concordo inteiramente na questão dos roteiros :)
    ;**

  17. belo texto, Ju…
    mas preciso dizer que Houve Uma vez dois verões foi um dos filmes que me fez parar de ler crítica de cinema. eu senti tanta raiva do filme e tanta raiva de mim mesma por ter visto ate o final.
    tbem não consigo entender a adoração das pessoas por Amarelo Manga. Tirando a trilha, não gostei de nada naquele filme. vc viu?

    resposta:
    Eu também não entendo sobre o Amarelo Manga. Mas Houve Uma Vez Dois Verões eu fui ver tão descompromissada que acabei adorando. Acho válido parar de ler críticas de cinema, rsrsrs. Beijos, Ana.

  18. Olá!
    Procurei saber , mas só sei seu nome pq li no blog da Samantha, que te linkou, aliás só vim aqui por causa da indicação dela, para ler o texto sobre cine nacional. E curti muito. Têm vários ai que não vi tbm e tbm estou mto afim de ver O Cheiro do “ralo”. Valeu ! Vou navegar mais aí…
    um beijo
    PS. Gostaria de linká-la, posso?

    resposta:
    à vontade. ;)

  19. tamy.=)!!

    lindoOoO!!teu bloOog caraaa..muito bomm..oq eu ameiiii eq vc retrada sobre o ->Cinema Nacional<-..e as fotografias estao maravilhOosas..adOoroo!S2 S2 S2 S2!!…ummm..sxu q eh isoOooo!!!
    ..


    beijOoooOoo!!
    Tamy!=)

Reply to “o cinema nacional e meu novo objeto de desejo.”

miaazaroseuquerida