where i end and you begin.
Dear,
Um litro de suco de laranja depois e eu posso te contar como é que acaba. Começa com aquela coisa de adimitir. Assumir. Mea culpa. Coisas assim. Um monte de cusparadas vem depois disso. Continua acabando com falta de educação e…eu ia dizer indiferença, mas na verdade indiferença faz parte do processo todo. A real. A que se finge. Está instrínseco. Entende o que eu quero dizer? Continua acabando com falta de educação. Quando coisas como um simples “obrigado” fariam diferença. Poderia ser o começo de uma conversa. É disso que eu estou falando. Conversar é bom. Dizem. E quem sabe acabar não fosse realmente necessário. Ou pelo menos não assim. Se é que você me entende. Conversar em bom, não é? Mas aí depois de fingir que conversou vem o silêncio. Continua acabando com o silêncio. Não me entenda mal. Você me conhece. Silêncio é bom. Eu gosto. Mas estou falando daquele outro tipo. Não foi comigo. Não aconteceu. Faz de conta que não aconteceu. Quem é você? Indiferença. Sabe como é. Está intrínseco. E aí um dia você se cansa e pensa “puta que pariu, vá tomar no cu, foda-se essa merda toda”. E aí acaba. Devagar. Gota a gota. Às vezes parece que não. Eu sei, dear. Mas acaba. Tudo acaba.
Volto em alguns dias.
Obrigada pela carta.
A.


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